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Cada texto explica um conceito com objetos que soam, e diz o que ler antes e o que vem depois. Estão na ordem em que o grafo os coloca — do que não depende de nada até o que depende de quase tudo.
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Começo
não dependem de nada- Propriedades do somQuanto dura, com que força soa, se é grave ou agudo e quem o produziu. As quatro perguntas que todo som responde, e como a partitura escreve cada resposta.
- AcústicaTodo som nasce de uma vibração. Este tópico acompanha o caminho do som, do instrumento até o ouvido: o que é uma vibração, como ela se propaga pelo ar em ondas, por que a frequência define se a nota é grave ou aguda e a amplitude define se ela é forte ou fraca, até onde vai a audição humana e por que as orquestras afinam pela mesma nota.
- Classificação dos instrumentosCordas, sopros e percussão: as três famílias de instrumentos, separadas pelo que vibra para produzir o som. Aqui você aprende como cada família se divide, por que uma flauta de metal continua sendo madeira, por que o piano fica com as cordas, quais instrumentos de percussão tocam notas e a classificação mais científica que os livros só mencionam.
- NotaNota é um som com altura definida, e cada nota tem um nome. Os sete nomes recomeçam a cada oitava, ficam nas teclas brancas do piano e se dizem de duas maneiras, por sílabas, como dó, ré, mi, ou por letras, como C, D, E. No papel, a nota é um sinal colocado na pauta.
- Figuras e pausasNa pauta, a posição da nota diz a altura, e o desenho dela diz quanto tempo o som dura. Esses desenhos são as figuras, e cada uma tem uma pausa que mede o silêncio do mesmo tamanho. Aqui você conhece as sete figuras, a proporção entre elas e as pausas correspondentes.
- PentagramaCinco linhas e quatro espaços bastam para escrever a altura de um som: quanto mais alto o sinal, mais agudo o som. Aqui você aprende a contar linhas e espaços, a sair do pentagrama com as linhas suplementares e a reconhecer as partes de uma nota escrita.
- Tom e semitomEntre duas notas vizinhas a distância nem sempre é a mesma. A menor delas é o semitom, e dois semitons fazem um tom. Aqui você aprende a medir essas distâncias no teclado, descobre por que entre mi e fá não há tecla preta e ouve a diferença entre um passo e o outro.
- Conjuntos instrumentaisDo duo à orquestra sinfônica, e a banda ao lado delas. Aqui você aprende quantos instrumentos fazem um conjunto de câmara, uma orquestra de câmara e uma orquestra sinfônica, como os naipes se sentam diante do regente, o que separa uma filarmônica de uma sinfônica, e as palavras que a parte de cada músico usa para dizer quem toca.
- TessituraNenhuma voz e nenhum instrumento alcança todas as notas. O conjunto que vai da nota mais grave à mais aguda que ele consegue emitir é a sua tessitura, e uma melodia também tem a sua. Aqui você aprende como se escreve uma tessitura, por que nem toda nota dentro dela é igualmente fácil, o que ela tem a ver com a escolha do tom e por que os nomes mudam de livro para livro.
- AcidentesAs teclas pretas não têm nomes próprios: elas usam os sete nomes com um sinal na frente. Esses sinais são os acidentes, que sobem ou descem uma nota sem mudar o nome dela. Aqui você conhece os cinco acidentes e aprende até onde vale cada um.
- ArticulaçãoAs mesmas notas, com as mesmas durações, podem soar ligadas umas às outras ou soltas, curtas, apoiadas. A articulação é essa maneira de emitir e de encadear os sons. Aqui você aprende os sinais do legato, do staccato, do portato, do tenuto e dos acentos, e o que cada um muda no som.
- ClaveO pentagrama mostra que uma nota é mais aguda ou mais grave que outra, mas não diz qual nota ela é. Quem diz é a clave, um sinal que dá nome a uma linha. Aqui você vê as claves de sol, de fá e de dó, onde fica o dó central em cada uma e por que existe mais de uma clave.
- DinâmicaUma melodia pode ser tocada num sussurro ou com toda a força, e mudar de um para o outro no caminho. A dinâmica é a arte de graduar essa intensidade. Aqui você aprende a escala do pianíssimo ao fortíssimo, os sinais de crescendo e diminuendo, e os reforços súbitos como o sforzato.
- Ponto, ligadura e fermataAs figuras só dobram ou dividem por dois. Para uma nota que dura três tempos, cinco tempos ou o quanto o intérprete quiser, a escrita tem quatro recursos: a ligadura, o ponto de aumento, o duplo ponto e a fermata.
- IntervaloDuas notas, e a pergunta de sempre: a que distância uma está da outra? Essa distância é o intervalo. Aqui você aprende a contá-lo pelos nomes das notas, a reconhecê-lo na pauta só pelo desenho e a distinguir melódico de harmônico, conjunto de disjunto, simples de composto.
- CompassoPor baixo de quase toda música corre um pulso regular, e esse pulso se agrupa. O compasso é cada um desses grupos, separado do seguinte por uma barra. Aqui você aprende a sentir o tempo, a contar quantos tempos cabem num compasso e a ler as barras que os separam.
- Notação modernaMicrotons, clusters, altura indeterminada e duração em segundos: os sinais que compositores do século XX criaram para sons que a pauta tradicional não sabia escrever. Aqui você aprende o que cada um pede, por que eles variam de um compositor para outro e como ler uma partitura que os usa.
- OrnamentosApojatura, mordente, grupeto, trinado, arpejo, glissando e floreio: notas acrescentadas a uma nota da melodia para enfeitá-la. Aqui você aprende o que cada ornamento toca, de onde ele tira o seu tempo, como se escreve, e onde os próprios livros discordam sobre como executá-lo.
- Classificação das vozesSoprano, meio-soprano, contralto, tenor, barítono e baixo: como as vozes se classificam por tessitura e por timbre, a regra que ajuda a lembrar a tessitura de todas, o registro médio de cada uma, as subdivisões da ópera e as claves em que cada voz se escreve. E por que um livro conta seis vozes adultas e outro, quatro.
Escalas e acordes
dependem do começo- Consonância e dissonânciaDuas notas tocadas juntas podem soar em repouso ou pedir movimento. Aqui você aprende quais intervalos a teoria chama de consonantes e quais de dissonantes, os graus entre um e outro, por que a quarta justa divide os livros e como a ideia de consonância mudou ao longo da história.
- Enarmonia, e por que o mesmo som tem dois nomesDuas grafias para o mesmo som, e a razão de a escolha entre elas não ser indiferente; o nome de uma nota carrega a função dela.
- Qualificação dos intervalosDó–mi e dó–mi bemol são duas terças, e não têm o mesmo tamanho. A qualificação separa uma da outra: maior, menor, justo, aumentado, diminuto. Aqui você aprende a medir um intervalo em tons e semitons, as duas famílias de intervalos, o efeito dos acidentes e o trítono.
- Acentuação métricaOs tempos de um compasso não pesam todos igual. O primeiro é forte, os outros são fracos, e a mesma lógica desce até as partes de cada tempo. Aqui você aprende onde cai o peso em cada compasso e por que é ele que faz o ouvido reconhecer o compasso sem ver a partitura.
- Compasso simples e compostoDois compassos podem ter o mesmo número de tempos e soar bem diferentes. A diferença está na figura que vale um tempo e em como esse tempo se divide: em dois, no compasso simples; em três, no composto.
- Andamento, e por que ele não é a mesma coisa que levadaA velocidade do pulso, escrita em palavras italianas ou em batidas por minuto, e a diferença entre tocar rápido e tocar com a levada certa.
- Ouvido absoluto e relativoAlgumas pessoas escutam uma nota e dizem o nome dela sem referência nenhuma. A maioria dos músicos faz outra coisa: escuta a distância entre uma nota e outra. Aqui você aprende a diferença entre as duas, o que as palavras absoluto e relativo querem dizer quando falam de um som e quando falam de um ouvido, por que uma melodia se reconhece em qualquer tom e qual das duas habilidades se treina.
- Navegação na partitura, e a ordem em que a música é lidaRepetições, casas de primeira e segunda vez, da capo, dal segno e coda, as marcas que fazem uma peça de duas páginas durar cinco minutos, e a ordem em que se lê cada uma.
- Coro e conjuntos vocaisQuando as vozes cantam juntas. Aqui você aprende os quatro tipos de coro, por que o coro misto se escreve a quatro vozes e deixa de fora o meio-soprano e o barítono, como se escreve uma partitura de coro, o que é cantar a cappella, a diferença entre um coro e um quarteto de solistas, e onde o cantor deve respirar.
- AcordeTrês ou mais sons diferentes soando ao mesmo tempo. Aqui você aprende o que conta como acorde e o que é só intervalo, a diferença entre o acorde modelo e as muitas formas que ele assume na música, por que as notas dobradas não mudam o acorde, e como os acordes se constroem em terças, e às vezes em outros intervalos.
- Série harmônicaNenhum som musical é uma nota só: junto com a fundamental soam os harmônicos, mais fracos, numa ordem fixa. Aqui você aprende de onde eles vêm, a série que formam, as razões de frequência por trás da oitava, da quinta e da quarta, por que o timbre depende deles e até onde a série explica a harmonia e a afinação.
- Registro e numeração das oitavasO piano tem oito dós, e todos se chamam dó. Aqui você aprende como se numeram as oitavas para dizer qual é qual sem precisar da pauta, a regra que dá o número de qualquer nota, por que o dó central é C4 num livro, dó 5 em outro e dó 3 num terceiro, e como ler os sistemas que ainda circulam, do órgão ao MIDI.
- EscalaUma série de notas sucessivas, separadas por tons e semitons. Aqui você aprende o que uma escala é, e o que ela não é, a diferença entre escala diatônica e cromática, por que as sete escalas das teclas brancas não são a mesma escala, como as escalas se classificam pelo número de notas, e por que a de sete notas é só uma entre muitas.
- PartituraTodas as partes de uma obra escritas uma sobre a outra, para serem lidas de uma vez. Aqui você aprende o que é uma partitura e o que é uma parte, em que ordem os instrumentos aparecem na partitura de orquestra e por quê, como as chaves e colchetes agrupam as pautas, o que é uma redução, e os termos que só aparecem quando várias pessoas leem a mesma música.
- Formação de intervalosDar nome a um intervalo escrito e escrever um intervalo pedido são o mesmo raciocínio feito em sentidos opostos. Aqui você aprende o método de Lacerda: partir do intervalo natural, que se reconhece de cabeça, e acertar a diferença com os acidentes, para cima e para baixo.
- Inversão de intervalosTroque de lugar as duas notas de um intervalo, subindo a de baixo uma oitava, e ele vira outro: a quarta vira quinta, a terça maior vira sexta menor. Aqui você aprende a regra do nove, o que acontece com a qualificação e para que serve saber inverter.
- A escala maior, e a fórmula que a defineUma sequência fixa de tons e semitons que, aplicada a qualquer nota, produz a escala maior daquela nota — e determina sua grafia inteira.
- RitmoRitmo, compasso e andamento andam juntos e são confundidos o tempo todo. Aqui você aprende a separá-los: o ritmo é a maneira como as durações se sucedem, o compasso é a régua que as organiza, e o andamento é a velocidade com que tudo passa.
- Fórmula de compassoOs dois números empilhados no começo da pauta resumem o compasso: quantos tempos ele tem e qual figura vale um tempo. Aqui você aprende a ler a fórmula nos compassos simples, a decifrar a dos compostos, que à primeira vista engana, e a reconhecer os sinais C e C cortado.
- O braço do violão, lido como uma réguaSeis cordas, uma casa por semitom, e duas regras que dispensam decorar as duzentas e poucas notas do braço.
- Reconhecer intervalos, e a habilidade em que todo o ouvido se apoiaIdentificar de ouvido a distância entre duas notas, o método que funciona para aprender, e a razão de treinar também descendente e harmônico.
- Síncope, e o acento que cai onde o pulso não estáO acento deslocado para fora do pulso, que só existe contra uma métrica estabelecida e é o mecanismo rítmico de quase toda a música popular brasileira.
- Tríades, e as quatro qualidades possíveisTrês notas empilhadas em terças, e por que só existem quatro combinações — todas determinadas pelos intervalos, não pela escolha de ninguém.
- O trítono, e o intervalo que não consegue ficar paradoTrês tons inteiros, o intervalo que divide a oitava exatamente ao meio; o único que é simétrico, o que faz toda dominante pedir resolução, e o que soa tenso mesmo para quem nunca estudou.
- AnacruseNem toda música começa no primeiro tempo. Aqui você aprende as três maneiras de começar, no tempo forte, antes dele ou depois de uma pausa, a regra que decide quando se escreve só as notas iniciais e quando se escreve um compasso inteiro, o que o último compasso deve à anacruse, por que as palavras quase sempre pedem uma, e as terminações masculina e feminina.
- Escala cromáticaDoze semitons seguidos, todas as notas entre um som e a sua oitava. Aqui você aprende por que para Lacerda existe uma escala cromática só, sem tonalidade, e para Med existem várias, cada uma presa a um tom; a regra prática de escrever sustenidos subindo e bemóis descendo, o que muda quando há armadura, e por que a grafia importa se o som é o mesmo.
- MelodiaUma sucessão de sons de alturas e durações diferentes que faz sentido como música. Aqui você aprende o que transforma uma fila de notas numa melodia, por que o ritmo é metade dela, a diferença entre andar por graus e saltar, como uma melodia se organiza em pontos de chegada, e o que uma canção infantil muito simples mostra sobre tudo isso.
- Afinação e temperamentoPor que um piano não pode estar perfeitamente afinado em todos os tons. Aqui você aprende como se afinam instrumentos por quintas e quartas, por que doze quintas puras não fecham em sete oitavas, o que é a coma pitagórica, o que o temperamento igual sacrifica para que todas as tonalidades funcionem, como se medem essas diferenças em cents, e por que cantores e violinistas não tocam temperado.
- QuiálterasTrês notas onde o tempo caberia duas. Aqui você aprende o que é uma quiáltera, como a tercina se escreve e se lê, os grupos de cinco, seis e sete, as duas e as quatro-quiálteras do compasso composto, as quiálteras com valores desiguais e pausas, e a razão que diz exatamente o que um grupo significa.
- Movimento das vozesQuando duas melodias soam juntas, uma se move em relação à outra de poucas maneiras. Aqui você aprende os movimentos contrário, direto, paralelo e oblíquo, por que um livro conta três e outro quatro, as quintas e oitavas paralelas e ocultas, a quinta de trompa, e a razão acústica e de estilo que fez a teoria desconfiar das paralelas.
- Armaduras, e a ordem que nunca mudaOs acidentes recolhidos para o início da pauta, a ordem fixa em que aparecem, e o truque que lê a tonalidade em um segundo.
- Graus da escala, e os nomes que descrevem relaçõesOs sete lugares de uma escala, cada um com um nome que diz o que ele faz em relação à tônica; pensar por grau em vez de por nota é o que permite tocar a mesma música em qualquer tom.
- Compassos irregulares e alternadosAlguns compassos têm cinco ou sete tempos, e não se dividem em grupos iguais de dois ou de três. Aqui você aprende como o ouvido os escuta mesmo assim, em grupos curtos e longos; como o agrupamento se escreve; que nomes os livros dão a eles; e o que acontece quando o próprio compasso muda de uma barra para a outra.
- ModoToque as teclas brancas de dó a dó, depois de lá a lá. As notas são as mesmas, e mesmo assim as duas escalas soam diferentes, porque os semitons caem em graus diferentes. Esse jeito de distribuir tons e semitons é o modo. Aqui você aprende como tônica e modo dão nome a uma escala, por que existem sete modos possíveis e dois de uso comum, e em que os livros discordam.
- Ritmos brasileiros, e o que distingue um do outroSamba, baião, xote, maracatu e frevo lidos pelo que os distingue, onde cai o acento e como o pulso se divide; cada um tem um desenho de palma que cabe em dois compassos, e é por ele que se começa.
- Inversões, e por que o baixo decide o pesoAs mesmas três notas com outra nota embaixo continuam sendo o mesmo acorde — mas não pesam igual, e é por isso que uma sequência de acordes soa como música em vez de blocos.
- Reconhecer a qualidade de um acorde, e a nota que decideOuvir se um acorde é maior, menor, diminuto ou aumentado sem contar as notas; a terça é a única nota que muda entre maior e menor, e a diferença é enorme.
- O campo harmônico maiorSete acordes que nascem de uma escala só, e a razão de cada qualidade cair exatamente onde cai.
- Tétrades, e o trítono que move a harmoniaUma quarta nota empilhada muda o acorde de estado para direção — e um único intervalo interno explica por que.
- Acordes alteradosAcordes formados elevando ou abaixando uma nota de um acorde diatônico. Aqui você aprende a construí-los, por que Med os reconhece pela terça diminuta, por que essa terça quase sempre aparece invertida, como sexta aumentada, e por que a palavra "alterado" quer dizer coisas diferentes em livros diferentes.
- Marcação de compassoIndicar os tempos do compasso com a mão. Aqui você aprende os gestos para dois, três e quatro tempos, onde caem o tempo de baixo e o de cima, o gesto em seis, como o andamento lento subdivide os tempos e o rápido os junta, e as duas maneiras como os livros marcam o cinco e o sete.
- ContrapontoA arte de escrever duas ou mais melodias que soam juntas, cada uma digna de ser ouvida sozinha. Aqui você aprende o que torna uma linha independente, o cantus firmus e a voz que o acompanha nota contra nota, por que a escrita a quatro vozes é contrapontística mesmo parecendo feita de acordes, e onde o contraponto se encontra com a harmonia.
- Manipulação melódicaComo uma única ideia melódica rende uma música inteira. Aqui você aprende o retrógrado, a inversão tonal e a inversão real, a transposição dentro da tonalidade e a sequência, a aumentação e a diminuição, o deslocamento de acordes em bloco, e algumas técnicas do século XX, com uma mesma melodia curta passando por todas elas.
- Motivo e temaAs menores ideias de uma obra, e as maiores. Aqui você aprende o que é um motivo e por que quatro notas podem sustentar uma sinfonia, o inciso como impulso e repouso, o motivo rítmico, o que faz de uma melodia um tema, e como o motivo e o tema se relacionam com a frase e com a forma.
- Polirritmia e polimetriaRitmos diferentes ao mesmo tempo, e compassos diferentes ao mesmo tempo. Aqui você aprende a polirritmia, com os seus tipos complementar e contraditório, o três contra dois e o quatro contra três, a hemíola que troca dois grupos de três por três grupos de dois, e a polimetria, as pautas em compassos diferentes cujos tempos fortes voltam a se encontrar.
- Regras de grafia rítmicaO mesmo ritmo pode ser escrito de vários jeitos, e só alguns deixam ver os tempos do compasso. Aqui você aprende as regras de Lacerda para o ponto de aumento, a ligadura, as bandeirolas e as pausas, todas com a mesma ideia por trás: quem lê deve enxergar onde cai cada tempo, sem precisar contar.
- Prosódia musicalQuando uma melodia tem letra, as sílabas fortes das palavras precisam cair nos tempos fortes da música. Aqui você aprende o que é prosódia musical, como as palavras oxítonas, paroxítonas e proparoxítonas se encaixam no compasso, os pés da poesia antiga e as figuras rítmicas que vieram deles, a diferença entre o canto silábico e o melismático, e por que um erro de prosódia se ouve na hora.
- TexturaQuantas linhas soam ao mesmo tempo, e como elas se relacionam. Aqui você aprende a monofonia, a solo e em uníssono, as duas formas da homofonia, a polifonia em que nenhuma voz manda, a heterofonia de uma melodia cantada de vários jeitos ao mesmo tempo, e por que quase nenhuma peça fica numa textura só do começo ao fim.
- O ciclo de quintas, e o mapa que ele desenhaAs doze tonalidades dispostas por quintas, num círculo que explica a ordem dos acidentes, mede o parentesco entre tons e mostra por onde as sequências de acordes preferem andar.
- As três escalas menores, e o problema que cada uma resolveNatural, harmônica e melódica não são três escolhas de gosto — são três respostas a um mesmo defeito estrutural.
- TonalidadePare uma melodia conhecida uma nota antes do fim e você sente exatamente onde ela deveria cair. Essa atração por uma nota, e a ordem de importância que ela dá a todas as outras notas e acordes, é a tonalidade. Aqui você aprende o que os livros entendem por ela, a diferença entre tom e tonalidade, quais graus firmam o centro e quais decidem entre maior e menor, e como uma música sai da tonalidade principal e volta.
- Cifras, e como ler uma sem decorar nadaA notação do songbook lida por partes — fundamental, qualidade, extensão, alteração e baixo — cada uma respondendo a uma pergunta.
- Modos litúrgicosDórico, frígio, lídio, mixolídio, eólio, jônio e lócrio: as sete maneiras de distribuir os semitons têm nomes vindos da música da Igreja medieval. Aqui você aprende a final e a cor de cada modo, como reconhecer um modo pela única nota que o separa do maior ou do menor, por que os livros contam quatro, seis ou sete, e onde os modos ainda são ouvidos.
- Acordes de sexta, e o repouso que a sétima não dáUma sexta somada à tríade, que soa como repouso onde a sétima maior soaria como cor; o final de música por excelência na bossa e no choro, e o acorde que a cifra confunde com o menor com sétima da relativa.
- Transposição, e a música que muda de altura sem mudarMover a música inteira por um intervalo fixo, preservando cada relação interna e cada grafia; se soar diferente, algo foi transposto errado, e pensar por graus é o que torna isso automático.
- Extensões, e as terças que continuam acima da sétimaNona, décima primeira e décima terceira são o empilhamento de terças continuado além da sétima; são cor, não estrutura, e a regra prática é saber o que cortar quando faltar mão.
- Função harmônica, e os três lugares de um acordeTodo acorde do campo harmônico cumpre um de três papéis — repouso, afastamento ou tensão — e é o papel, não o nome, que decide o que ele pode fazer numa música.
- Ritmo harmônico, e a velocidade com que os acordes mudamA velocidade com que a harmonia muda é uma decisão separada da velocidade da música; acelerá-la antes de uma cadência é um dos sinais mais confiáveis de fim de frase.
- Origem e afinidade dos acordesDe onde vêm os acordes e o que os aproxima. Aqui você aprende a achar o acorde maior, o de sétima da dominante e o de nona na série harmônica, por que o acorde menor não aparece tão fácil ali, por que os acordes da sensível são acordes de dominante sem a fundamental, e como o número de notas comuns mede o parentesco entre dois acordes.
- Imitação e cânoneUma voz diz, outra repete. Aqui você aprende a imitação, com o seu guia e o seu seguidor, os dois intervalos que a descrevem, a imitação livre e o cânone de regras precisas, a roda como cânone infinito, os cânones em espelho, caranguejo, à quinta e por aumentação, como se escreve uma roda, e o contraponto invertível das invenções de Bach.
Harmonia e repertório
dependem de quase tudo acima- Pentatônicas, e a escala em que nada soa erradoCinco notas em vez de sete, escolhidas de modo que nenhuma combinação destoe; a escala do primeiro solo de quase todo mundo, e a razão de ela ser tão segura e tão sem direção.
- Tons relativos e homônimos, e as duas maneiras de aparentar maior e menorUm tom menor pode ser parente de um tom maior pela armadura ou pela tônica; são parentescos diferentes, com usos diferentes, e confundi-los é o erro mais comum ao ler uma armadura.
- Atonalidade e politonalidadeDuas maneiras de sair da tonalidade: sustentar mais de um centro ao mesmo tempo, ou recusar centro nenhum. Aqui você aprende o que é bitonalidade e politonalidade, o acorde de Petrushka, o que a atonalidade abandona, e por que numa música atonal não existe modulação.
- Tons vizinhosOs cinco tons que ficam a um acidente de distância de qualquer tom, e por que uma música vai a eles antes de ir a qualquer outro lugar. Aqui você aprende a achar os vizinhos diretos e indiretos, a contar as notas que dois tons compartilham, e por que o homônimo, longe na armadura, soa perto.
- Escalas exóticasA escala cigana, a napolitana, as de seis notas e a de tons inteiros: escalas de fora do sistema maior e menor, que o folclore guardou e os compositores foram buscar. Aqui você aprende a construir cada uma a partir de uma escala que já conhece, por que a segunda aumentada dá a elas o seu sabor, e por que o mesmo desenho de intervalos muda de nome de um livro para outro.
- Escala maior harmônica e melódicaA escala maior com o sexto grau abaixado, ou com o sexto e o sétimo abaixados na descida: o espelho das formas da escala menor. Aqui você aprende a construir as duas, os acordes que elas trazem para dentro do tom maior, e por que um livro as chama de escalas e outro chama os mesmos acordes de emprestados.
- Acordes suspensos, e o que sobra quando a terça saiA terça substituída pela quarta ou pela segunda, o que deixa o acorde sem ser maior nem menor; quase sempre resolve na terça logo depois, e quando não resolve vira uma cor própria.
- Modos autênticos e plagaisDuas melodias podem terminar na mesma final, usar as mesmas notas e mesmo assim pertencer a formas diferentes de um modo: uma sobe acima da final, a outra gira em torno dela. Aqui você aprende o que separa a forma autêntica da plagal, os nomes com hipo-, a nota de recitação, como identificar o modo de uma melodia e o ponto em que os livros não concordam.
- Cadências, e o quanto cada uma concluiAs fórmulas que encerram uma frase musical, do ponto final à vírgula, e a razão de cada uma soar tão conclusiva quanto soa.
- Acordes diminutos, e a simetria que apaga a fundamentalTerças menores empilhadas até o acorde ficar simétrico, sem fundamental definida; o mesmo acorde tem quatro leituras, e a grafia escolhe qual vale. É o acorde de passagem do choro.
- Percepção funcional, e ouvir o grau em vez do acordeOuvir o grau que um acorde ocupa na tonalidade, e não apenas a qualidade dele; a habilidade que permite acompanhar uma música desconhecida, e o truque de cantar a tônica enquanto ela toca.
- Harmonia em tom menor, e o campo que não é um campo sóO campo harmônico menor sai de três escalas, não de uma, e por isso o mesmo grau aparece com acordes diferentes; o quinto grau maior é a escolha que faz a música voltar para casa.
- Transposição dos modosRé dórico nas teclas brancas é só o modelo. Aqui você aprende a escrever qualquer modo em qualquer nota, pelo caminho mais rápido, o de achar a escala maior em que ele mora, e pelo outro, o de alterar uma nota da escala de mesma tônica; a responder às três perguntas que costumam aparecer, dada a nota, dado o intervalo e dada a armadura; e por que os dois caminhos dão o mesmo som com armaduras diferentes.
- Notas estranhas ao acorde, e o que a melodia faz entre as notas certasAs notas da melodia que não pertencem ao acorde, classificadas pelo modo como chegam e saem; boa parte do que soa como acorde estranho é só uma nota de passagem sobre um acorde comum.
- Análise por graus, e o acorde descrito pelo lugar que ocupaA notação em algarismos romanos descreve um acorde pela posição que ocupa na tonalidade, não pela nota em que está; a caixa do algarismo carrega a qualidade, e pensar assim é o que permite transpor uma música inteira de cabeça.
- Instrumentos transpositoresO clarinetista lê dó e o piano ouve si bemol. Aqui você aprende por que alguns instrumentos soam diferente do que está escrito, a regra que diz como cada um soa, como escrever a parte de um deles e como ler a parte deles no piano, por que flautim e contrabaixo não contam como transpositores, o que é a transposição dupla, e as escolhas de armadura que ainda dividem as partituras.
- Transposição com mudança de claveTranspor sem reescrever nada: a nota fica no mesmo lugar da pauta e, lida em outra clave, ganha o nome que precisa ter. Aqui você aprende a diferença entre transposição escrita e lida, como achar a clave certa para cada intervalo, por que sete claves dão conta de todas as transposições, o que fazer com a armadura e com os acidentes ocorrentes, e onde essa técnica ainda é usada.
- O II-V-I, e por que três acordes bastamPreparação, tensão e repouso em três acordes; a sequência mais frequente da música popular, o que a faz funcionar, e como reconhecê-la em qualquer cifra.
- Progressão harmônicaA ordem em que os acordes de uma música aparecem. Aqui você aprende como uma progressão sai da tônica e volta a ela, as progressões mais comuns da música ocidental, a direção que as funções costumam seguir e quando a música a contraria, o movimento das fundamentais por quintas, terças e segundas, a terça de Picardia, e o que torna um encadeamento suave ou anguloso.
- Empréstimo modal, e a cor que vem do homônimoAcordes tomados da tonalidade homônima, que trocam a cor de um grau sem mudar de centro; o quarto grau menor numa música em maior é o mais frequente da MPB e o mais fácil de ouvir.
- Dominantes secundárias, e o acorde que chega um compasso antesAcordes de fora da tonalidade que funcionam como dominante de um grau que não é o primeiro, e a razão de fazerem o acorde seguinte soar inevitável.
- Condução de vozes, e por que o menor movimento costuma ser o melhorComo cada voz se move de um acorde ao seguinte; as notas comuns ficam paradas, o resto anda por grau conjunto sempre que possível, e o trítono da dominante resolve por movimento contrário.
- FugaA forma em que a imitação chega ao máximo de organização. Aqui você aprende o sujeito e a resposta, a exposição em que as vozes entram uma a uma, o contrassujeito, a diferença entre resposta real e resposta tonal, os episódios e o corpo da fuga, e os recursos especiais, como o stretto, o pedal e a fuga dupla.
- A escala de blues, e a nota que só serve de passagemA pentatônica menor com uma nota a mais, a quinta diminuta entre o quarto e o quinto graus; ela soa bem enquanto se move e áspera se você parar nela, e é isso que faz o blues soar como blues.
- Baixo cifrado, e os números que descrevem o que soa acima do baixoA notação barroca de acordes, números sob a linha do baixo indicando os intervalos a tocar acima dela, e por que ela não é a mesma coisa que a análise por graus.
- Escalas simétricasEscalas feitas de um mesmo desenho de intervalos repetido até fechar a oitava. Aqui você aprende por que só existem duas escalas de tons inteiros e três octatônicas, por que essas escalas não têm tônica que se imponha, como Med as chama de escalas matemáticas, e o que são os modos de transposição limitada de Messiaen.
- Dominantes alteradas, e a tensão que reforça a resoluçãoO acorde dominante com as extensões alteradas, nona bemol, nona sustenida, quinta aumentada, que aumentam a tensão sem mudar a função, porque cada alteração é mais um semitom apontando para o acorde de chegada.
- Escrita a quatro vozes, e as regras que mantêm as vozes audíveisA harmonia distribuída em soprano, contralto, tenor e baixo, com as regras de dobramento, de espaçamento e de movimento que existem para que cada voz continue sendo ouvida como uma linha.
- Modulação, e o que separa mudar de tom de passar por eleA mudança de centro tonal, confirmada por uma cadência; sem ela, um acorde de fora é só um acorde de fora, e o ouvinte sente o degrau sem precisar analisá-lo.
- Forma musical, e a música ouvida como um todoComo as seções se organizam e se repetem; quase toda canção cabe em poucas letras, e saber a forma é o que permite tocar uma música de ouvido depois de duas passagens.
- Nota pedal, e a harmonia que se move sobre uma nota paradaUma nota sustentada enquanto os acordes mudam por cima, criando dissonância sem perder o centro; o pedal de dominante acumula tensão, o de tônica estabiliza, e os dois estão em toda parte.
- Contraponto por espécies, e o método que isola uma variável por vezO método clássico de escrever duas linhas independentes contra um cantus firmus, uma restrição por vez, primeiro só a altura, depois o ritmo, depois a dissonância; a escola em que a condução de vozes foi formulada.
- Turnaround, e a volta que soa como consequênciaA sequência curta que fecha uma seção e devolve a música ao começo, e por que uma volta bem escolhida faz a repetição parecer inevitável em vez de recomeço.
- A harmonia da bossa nova, e o vocabulário ampliado da mesma gramáticaExtensões como norma, empréstimo modal frequente, II-V-I encadeados e uma condução de vozes que quase não salta; é harmonia funcional com mais vocabulário, não outra harmonia, e a análise por graus continua valendo.
- A harmonia do choro, e a gramática tonal levada ao limiteDominantes encadeadas, diminutos de passagem, o baixo em movimento e a modulação entre seções; o repertório brasileiro em que a harmonia funcional do século dezenove sobreviveu mais intacta, e por que decorar a forma vale mais que decorar os acordes.
- Acordes cromáticosOs acordes com notas de fora da escala que a harmonia clássica usa sem sair da tonalidade. Aqui você aprende os acordes de sensível secundários, o segundo grau secundário, a tríade aumentada de passagem, a sexta napolitana e os acordes de sexta aumentada, com a sexta italiana, a francesa e a alemã, e para onde cada um resolve.
- Frase e períodoA melodia se organiza como a fala, em frases que terminam numa pontuação. Aqui você aprende o que é uma frase musical, a pergunta e resposta, o período formado por antecedente e consequente, por que tantas frases têm quatro compassos, e o que acontece quando o compositor encurta, alonga ou emenda uma frase na outra.
- Substituição de trítono, e o baixo que desce por semitomTrocar uma dominante pela dominante a um trítono de distância, que compartilha com ela o trítono interno; é o que transforma um II-V-I em movimento cromático descendente no baixo.
- Formas binária e ternáriaAs formas em duas e em três partes, as mais usadas por séculos em danças, canções e movimentos de sinfonia. Aqui você aprende a diferença entre forma aberta e fechada, a binária e a binária arredondada, a ternária e o da capo, o minueto com trio, e as formas vizinhas: a forma de canção, a forma bar e a música sem repetição.
- Modulação por acorde pivô, e o acorde que é dois ao mesmo tempoUm acorde lido em duas tonalidades ao mesmo tempo, que serve de dobradiça entre elas; como encontrá-lo, como escrevê-lo com duas cifras romanas, e por que é a porta de entrada mais suave para um tom novo.
- Grandes formasAs formas dos movimentos longos da música de concerto. Aqui você aprende o rondó e as suas variantes, o tema com variações, da clássica ao jazz, a forma sonata com exposição, desenvolvimento e reexposição, a abertura francesa, e as formas contínuas construídas sobre um baixo que se repete, o baixo ostinato, a passacaglia e a chacona.
O resto da enciclopédia
- GlossárioO termo, em três idiomas, quando o que falta é a palavra.
- AnálisesPeças inteiras destrinchadas compasso a compasso.
- Linha do tempoQuando cada ideia apareceu, e o que ela substituiu.
- LinksO que vale ler fora daqui, com o motivo.