Conjuntos instrumentais

Do duo à orquestra sinfônica, e a banda ao lado delas. Aqui você aprende quantos instrumentos fazem um conjunto de câmara, uma orquestra de câmara e uma orquestra sinfônica, como os naipes se sentam diante do regente, o que separa uma filarmônica de uma sinfônica, e as palavras que a parte de cada músico usa para dizer quem toca.

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Pouca música é escrita para um instrumento sozinho. Na maior parte do tempo, vários instrumentos tocam juntos, e o grupo que eles formam é um conjunto. O que dá nome a um conjunto é, antes de tudo, o tamanho: quantos músicos há ali (LACERDA, 1966, cap. XLII).

ConjuntoQuantos instrumentos
conjunto de câmarade 2 a cerca de 9
orquestra de câmarade 10 a 25 ou 30
orquestra sinfônicade 30 a 100 ou mais

As fronteiras não são leis. Um grupo de 28 músicos pode se chamar de orquestra de câmara ou de pequena orquestra, e ninguém está errado. O que a tabela mostra é a ordem de grandeza, e ela muda o jeito de a música ser escrita e tocada.

Conjunto de câmara

Um conjunto de câmara reúne de dois a uns nove instrumentos, iguais ou diferentes, e a música escrita para ele é a música de câmara. O nome vem de câmara, sala: é música para um espaço pequeno, tocada por poucos. O conjunto recebe o nome do número de músicos (LACERDA, 1966, cap. XLII):

MúsicosNome
2duo
3trio
4quarteto
5quinteto
6sexteto
7septeto
8octeto
9noneto

O número sozinho não diz quais instrumentos são. Por isso os nomes costumam vir com um complemento, e alguns deles se tornaram formações fixas, para as quais há repertório de sobra:

  • quarteto de cordas: dois violinos, viola e violoncelo;
  • trio com piano: piano, violino e violoncelo;
  • quinteto de sopros: flauta, oboé, clarineta, fagote e trompa. A trompa é um metal, mas entra no quinteto porque se mistura bem com as madeiras.

Num conjunto de câmara, cada músico toca a sua própria linha, e não há ninguém para dobrá-la. No quarteto de cordas, um acorde de dó maior pode ser dividido nota a nota: o violoncelo no dó central, a viola no sol acima dele, o segundo violino no mi e o primeiro violino no sol mais agudo.

Cada nota é um instrumento. Se um deles falta, o acorde perde uma nota. É essa exposição que dá à música de câmara o seu caráter de conversa entre poucos.

Orquestra de câmara

Passando de uns dez instrumentos, o conjunto já é uma orquestra de câmara, que vai até 25 ou 30 músicos (LACERDA, 1966, cap. XLII). A diferença de fundo não é só o número: numa orquestra, a mesma linha passa a ser tocada por vários músicos ao mesmo tempo. Os primeiros violinos deixam de ser um violinista e viram um grupo, um naipe. Muitas orquestras de câmara são só de cordas, às vezes com alguns sopros em dupla.

Orquestra sinfônica

A orquestra sinfônica vai de 30 a cem músicos ou mais (LACERDA, 1966, cap. XLII) e reúne as três famílias de instrumentos inteiras. Na partitura orquestral que Lacerda reproduz, as madeiras vêm em pares: duas flautas, dois oboés, duas clarinetas, dois fagotes, com flautim, corne-inglês e contrafagote como instrumentos a mais. Os metais são quatro trompas, duas trombetas, três trombones e uma tuba. A percussão traz tímpanos, triângulo, pratos e bumbo, e há ainda harpa e piano (LACERDA, 1966, cap. XLII).

As cordas são a maioria. Um violino sozinho soa bem menos que um trompete, e é preciso muitos violinos para equilibrar os sopros. Por isso uma orquestra grande tem dezenas de cordas e um ou dois de cada sopro.

Onde a orquestra se senta

A disposição que Lacerda desenha é a mais comum (LACERDA, 1966, cap. XLII). O regente fica à frente, e a orquestra se abre em leque diante dele:

  1. Mais perto do regente, as cordas: primeiros e segundos violinos de um lado, violas e violoncelos do outro, os contrabaixos atrás deles. As harpas ficam perto das cordas.
  2. No meio, as madeiras: flautas e oboés na primeira fila, clarinetas e fagotes atrás.
  3. Atrás das madeiras, os metais: trompas, trombetas, trombones e tuba.
  4. No fundo, a percussão.

A ordem vai dos instrumentos que soam mais fraco aos que soam mais forte. Os violinos, que precisam ser ouvidos em grupo, ficam na frente, e os metais e a percussão, que cobririam todo o resto, ficam no fundo. Nem toda orquestra segue esse desenho à risca: há regentes que separam os primeiros dos segundos violinos, um de cada lado, para que as duas linhas se ouçam separadas.

Sinfônica ou filarmônica?

Os dois nomes aparecem em orquestras do mesmo tamanho, e a diferença é de história, não de música. Uma filarmônica era, na origem, uma sociedade de amadores ou uma orquestra mantida por empresas e grupos de pessoas, sem fins lucrativos; uma sinfônica era uma orquestra de profissionais, mantida pelo Estado. Essa distinção desapareceu no século XX, e hoje os dois nomes designam orquestras profissionais (MED, 1996, cap. XXXVII).

Banda

Para Lacerda, banda é uma orquestra só de sopros e percussão, sem cordas (LACERDA, 1966, cap. XLII). No Brasil, é o conjunto que toca no coreto da praça, desfila no Sete de Setembro e acompanha procissões: a banda de música, a banda marcial, a banda sinfônica, que tem o tamanho de uma orquestra.

No uso comum a palavra se estendeu. Uma banda de rock tem guitarra e baixo, que são cordas, e ninguém a chama de outra coisa. A definição de Lacerda descreve a banda de tradição, a de sopros, e é essa a banda de que falam as partituras para banda.

Quem dirige, e quem toca o quê

O conjunto grande precisa de alguém que marque o andamento, equilibre os naipes e decida a interpretação. É o regente, que também se chama maestro. Logo abaixo dele está o spalla, o primeiro violino da orquestra, que lidera as cordas e pode substituir o regente (MED, 1996, cap. XXXVII).

A parte de cada músico, o extrato da partitura com a sua linha, usa algumas palavras para dizer quantos devem tocar (MED, 1996, cap. XXXVII):

PalavraO que pede
soloum trecho para uma só voz ou instrumento, acompanhado ou não
tuttitodos voltam a tocar
divisi (div.)o naipe se divide em grupos menores, cada um com a sua nota
a 2a mesma linha tocada por dois instrumentos

O divisi é o que permite a um naipe tocar um acorde. Os primeiros violinos, que normalmente tocam uma nota só, se dividem ao meio e tocam duas.

O que vem depois

As vozes também se juntam em conjuntos, e o maior deles, o coro, se organiza pelos tipos de voz, como a orquestra se organiza pelas famílias. E para que tantos músicos toquem a mesma obra, alguém precisa ver todas as linhas de uma vez: é para isso que existe a partitura, com cada instrumento numa pauta, na ordem das famílias.

Referências

  1. LACERDA, Osvaldo. Compêndio de teoria elementar da música. 3. ed. São Paulo: Ricordi Brasileira, 1966.Consultado: cap. XLII
  2. MED, Bohumil. Teoria da música. 4. ed. Brasília: Musimed, 1996.Consultado: cap. XXXVII