Classificação dos instrumentos

Cordas, sopros e percussão: as três famílias de instrumentos, separadas pelo que vibra para produzir o som. Aqui você aprende como cada família se divide, por que uma flauta de metal continua sendo madeira, por que o piano fica com as cordas, quais instrumentos de percussão tocam notas e a classificação mais científica que os livros só mencionam.

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Todo instrumento produz som do mesmo jeito: alguma coisa nele vibra. O que é essa coisa, uma corda, uma coluna de ar ou uma superfície percutida, é o jeito mais simples de separar os instrumentos em famílias, e é o jeito dos livros (LACERDA, 1966, cap. XLII).

  • Num instrumento de corda, vibra uma corda. O violino é o exemplo.
  • Num instrumento de sopro, vibra o ar soprado dentro de um tubo. A flauta.
  • Num instrumento de percussão, vibra uma superfície depois de percutida. O tambor.

Cada família se divide em grupos menores, e o jeito de dividir diz alguma coisa sobre como o instrumento é tocado.

Cordas: friccionadas, dedilhadas, percutidas

Uma corda pode ser posta a vibrar de três maneiras, e Lacerda divide a família de acordo com isso (LACERDA, 1966, cap. XLII).

GrupoComo a corda vibraExemplos
cordas friccionadasesfregada com um arcoviolino, viola, violoncelo, contrabaixo
cordas dedilhadasposta a vibrar pelos dedos ou por uma palhetaharpa, violão, cavaquinho, viola caipira, alaúde
cordas percutidasbatida por martelospiano

As cordas friccionadas formam uma família dentro da família, do agudo ao grave: violino, viola, violoncelo e contrabaixo. Elas são o centro da orquestra.

O piano surpreende aqui. Ele tem teclas como o órgão e muita gente o põe na percussão porque os martelos batem, mas o que soa é uma corda esticada. Pela maneira como o som é produzido, é um instrumento de corda (LACERDA, 1966, cap. XLII).

Uma corda friccionada também pode ser beliscada. A partitura pede isso com pizzicato, e a volta ao arco com arco; o instrumentista também pode pôr uma surdina para abafar o som. Blatter observa que é assim que se escreve a maior parte das mudanças de cor: há poucos sinais para o timbre, então a partitura nomeia o instrumento e um punhado de maneiras de tocá-lo (BLATTER, 2007, parte 1, art. 7).

Sopros: madeiras e metais

Os sopros se dividem, por tradição, pelo material (LACERDA, 1966, cap. XLII):

GrupoExemplos
madeirasflautim, flauta, oboé, corne-inglês, clarineta, fagote, saxofone
metaistrompete, corneta, trompa, trombone, tuba, bombardino

Os nomes são mais velhos que os instrumentos. A flauta moderna é de metal e o saxofone sempre foi de latão, e mesmo assim os dois são madeiras, por tradição (LACERDA, 1966, cap. XLII). O que separa de fato os dois grupos é como o ar começa a vibrar. Nas madeiras, o sopro passa por uma aresta, como na flauta, ou faz vibrar uma palheta, como na clarineta e no oboé. Nos metais, os lábios do instrumentista vibram contra um bocal em forma de taça. Lacerda menciona essa divisão mais científica, em instrumentos de boca, de palheta e de bocal, e a deixa de lado como mais do que um livro elementar precisa (LACERDA, 1966, cap. XLII).

O órgão também é um sopro: suas teclas mandam ar para tubos. Lacerda aponta o que o torna diferente dos outros: ele soa várias notas ao mesmo tempo, enquanto uma flauta ou um trompete toca uma de cada vez (LACERDA, 1966, cap. XLII).

Percussão: com e sem altura definida

A percussão se divide pelo que é percutido (LACERDA, 1966, cap. XLII):

  • membranas esticadas: tímpano, bumbo, caixa, pandeiro, tamborim;
  • corpos duros de madeira ou metal: xilofone, marimba, celesta, triângulo, pratos, gongo, castanholas, agogô, reco-reco.

A divisão mais útil para o músico atravessa essa: alguns instrumentos de percussão tocam notas definidas e outros não. Entre as membranas, só o tímpano é afinado numa altura; os outros tambores dão sons de altura indefinida. Entre os corpos duros, xilofone, marimba e celesta tocam melodias, e triângulo, pratos e gongo não (LACERDA, 1966, cap. XLII). É a diferença entre som musical e ruído, vista família por família.

Os tímpanos são afinados antes de a peça começar, em geral nas notas em que a harmonia mais se apoia. A partitura orquestral que Lacerda reproduz os põe em dó e sol, a tônica e a dominante (LACERDA, 1966, cap. XLII):

Lacerda lista também instrumentos típicos do Brasil, o agogô, o reco-reco, o chocalho e a cuíca (LACERDA, 1966, cap. XLII), e uma bateria de escola de samba é quase todos eles de uma vez.

As famílias na orquestra

Quando instrumentos do mesmo tipo tocam juntos, formam um naipe: o naipe das cordas, das madeiras, dos metais. Partituras e músicos de orquestra usam muito os nomes italianos, archi para as cordas, strumentini para as madeiras e ottoni para os metais (MED, 1996, cap. XXXVII). Como esses naipes se juntam em conjuntos, do duo à orquestra sinfônica, é assunto à parte.

O que vem depois

Cada família cobre uma faixa de notas, e cada instrumento cobre só uma parte dessa faixa. O contrabaixo e o violino são os dois cordas friccionadas, e mesmo assim o contrabaixo desce mais de duas oitavas abaixo da corda mais grave do violino. A faixa que cada instrumento cobre é a sua tessitura, e juntar instrumentos de tessituras e cores diferentes é do que os conjuntos são feitos.

Referências

  1. BLATTER, Alfred. Revisiting music theory: a guide to the practice. New York: Routledge, 2007.Consultado: parte 1, art. 7
  2. LACERDA, Osvaldo. Compêndio de teoria elementar da música. 3. ed. São Paulo: Ricordi Brasileira, 1966.Consultado: cap. XLII
  3. MED, Bohumil. Teoria da música. 4. ed. Brasília: Musimed, 1996.Consultado: cap. XXXVII