Nota

Toda nota nasce de um som com altura definida: a gente dá um nome a ele e bota esse nome no papel em forma de símbolo. Aqui você vai ver de onde saem as sete notas, por que a ordem nunca muda e recomeça sempre do início, e como cada língua resolveu chamar cada uma delas — seja por letras ou pelo bom e velho Dó, Ré, Mi.

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Quando alguém comenta que a cantora "segurou aquela nota lá em cima", ou que o violão "tem uma nota desafinada", está usando a palavra do jeito que os músicos usam. Nota é um som com altura definida: um som que você consegue cantar de volta.

É o mesmo teste das propriedades do som. A palma e o ganzá não passam nele; a tecla de um piano e a corda de um violão passam. E um som que tem uma altura reconhecível pode receber um nome, que é o que faz dele uma nota.

Sete nomes que voltam

As notas se chamam , , mi, , sol, e si. Depois do si, a lista não acaba: vem outro , mais agudo, e os sete nomes começam de novo.

Funciona como os dias da semana. Depois do domingo vem outra segunda-feira, e ninguém estranha: é outra semana, mas o dia tem o mesmo nome porque ocupa o mesmo lugar no ciclo.

Ouça a diferença. Toque e depois : são vizinhas, bem próximas em altura, e soam como duas coisas diferentes. Agora toque e depois : a distância é bem maior, e mesmo assim a segunda soa como uma volta ao ponto de partida, só que mais aguda. É por isso que ela tem o mesmo nome.

A distância até o próximo nome igual se chama oitava. Conte os nomes de um sol até o seguinte, sol, , si, , , mi, , sol, e são oito. Por que duas notas a uma oitava de distância soam tão parecidas é uma pergunta de acústica, e Blatter a responde pela vibração (BLATTER, 2007, art. 2).

Assim como "segunda-feira" não diz de qual semana se trata, o nome sozinho não diz de qual oitava é a nota. Para isso serve o número que aparece nos botões acima, depois do nome. Aqui ele segue a numeração usada no Brasil, e as convenções de numeração têm um tópico próprio.

Onde elas ficam no teclado

No piano, os sete nomes são as teclas brancas. Para se orientar, olhe as pretas: elas vêm em grupos de duas e de três. O é a tecla branca logo à esquerda de cada grupo de duas. Dali para a direita, cada tecla branca é o nome seguinte, até chegar ao próximo , de novo à esquerda de um grupo de duas.

O desenho das teclas pretas, duas e três, duas e três, se repete a cada oitava, junto com os nomes. E as teclas pretas também são notas. Elas não ganham nomes novos: usam os mesmos sete, acompanhados de um sinal, e isso é assunto do tópico sobre acidentes.

Duas maneiras de chamar as mesmas notas

Em português, espanhol, italiano e francês, as notas têm nomes de sílaba. Em inglês, alemão e em boa parte do mundo, têm nomes de letra:

| Sílaba | dó | ré | mi | fá | sol | lá | si | | ------ | -- | -- | -- | -- | --- | -- | -- | | Letra | C | D | E | F | G | A | B |

Cuidado com a ordem: a lista de letras não começa pelo A. O A é o lá, e o dó é C.

Mesmo quem só fala dó, ré, mi já usa as letras sem perceber, porque é com elas que se escreve a cifra. O acorde é o de dó, e o acorde é o de lá menor. Por isso este site nomeia as notas em sílabas no texto e mantém as letras nas cifras.

As sílabas vêm da Idade Média, e o nem sempre se chamou assim: por muito tempo o nome foi ut. Quem quiser saber como a notação chegou a esses nomes, e à pauta onde eles são escritos, encontra um resumo em Med (MED, 1996, cap. II).

A nota no papel

A palavra "nota" serve para o que se ouve e para o que se lê, como a palavra "palavra" serve para o que se fala e para o que se escreve. Lacerda separa os dois sentidos logo no capítulo em que apresenta a nota (LACERDA, [s.d.], cap. II).

No papel, a nota é um sinal colocado na pauta, e ele responde a duas perguntas de uma vez: a posição diz a altura, e o formato diz a duração.

Este é o começo de "Brilha, brilha, estrelinha". Siga as notas com os olhos: as duas primeiras estão embaixo, e o salto para as duas seguintes aparece antes mesmo de ser ouvido. Os nomes são , , sol, sol, , e sol. A última tem outro formato porque dura o dobro.

Mas a pauta sozinha não diz que a primeira nota é um . Quem diz é o sinal no começo dela, a clave. Sem clave, a posição só mostra se uma nota é mais aguda ou mais grave que a outra; com a clave, cada linha e cada espaço ganham um nome. Lacerda faz questão desse ponto antes de ensinar a ler qualquer nota (LACERDA, [s.d.], cap. III).

O que vem depois

Os sete nomes abrem vários caminhos. Entre eles, as distâncias não são todas iguais, e é daí que vêm o tom e o semitom. As teclas pretas pedem os acidentes. Ler os nomes no papel pede a pauta e a clave. E saber qual é qual pede a numeração das oitavas.

Referências

  1. BLATTER, Alfred. Revisiting music theory: a guide to the practice. New York: Routledge, 2007.Consultado: art. 2
  2. LACERDA, Osvaldo. Compêndio de teoria elementar da música. 3. ed. São Paulo: Ricordi Brasileira, [s.d.].Consultado: cap. II, III
  3. MED, Bohumil. Teoria da música. 4. ed. Brasília: Musimed, 1996.Consultado: cap. II