Pentagrama
Cinco linhas e quatro espaços bastam para escrever a altura de um som: quanto mais alto o sinal, mais agudo o som. Aqui você aprende a contar linhas e espaços, a sair do pentagrama com as linhas suplementares e a reconhecer as partes de uma nota escrita.
Um som mais agudo a gente costuma chamar de "mais alto", e um mais grave, de "mais baixo". A escrita musical leva essa ideia ao pé da letra: o sinal de um som agudo fica mais em cima no papel, e o de um som grave fica mais embaixo. Para que "em cima" e "embaixo" sejam medidas exatas, e não um palpite, existe o pentagrama: cinco linhas horizontais, paralelas e igualmente espaçadas.
Ele também é chamado de pauta. As duas palavras aparecem nos livros e na boca dos músicos, e querem dizer a mesma coisa.
Linhas e espaços
Entre as cinco linhas ficam quatro espaços, e uma nota pode ser escrita em qualquer um desses nove lugares: numa linha, com a linha cortando a nota ao meio, ou num espaço, entre duas linhas, sem encostar em nenhuma.
As linhas e os espaços são contados de baixo para cima. A linha de baixo é a primeira, a de cima é a quinta; o espaço de baixo é o primeiro, o de cima é o quarto. Quando um músico fala "a nota na segunda linha", é essa contagem que ele está usando.
Aqui estão os nove lugares, do mais grave ao mais agudo: primeira linha, primeiro espaço, segunda linha, segundo espaço, e assim por diante até a quinta linha. Repare que linha e espaço se alternam. Não existe um degrau entre uma linha e o espaço logo acima dela: subir de um para o outro é passar para a nota seguinte. Ouça e acompanhe com os olhos, cada passo para cima no papel é um passo para cima no som.
O sinal grande no começo da pauta é a clave. É ela que diz qual nota mora em cada lugar, e ela tem um tópico próprio. Por enquanto, o que importa é só a posição: mais em cima, mais agudo.
O desenho de uma melodia
Como a altura vira posição, uma melodia escrita tem um desenho que dá para ver antes mesmo de ouvir.
É o começo do tema da "Ode à alegria", de Beethoven. Olhe o contorno: a melodia sobe devagar, chega ao ponto mais alto, desce abaixo de onde começou e sobe de novo até a nota em que tinha começado. Você não precisa saber o nome de nenhuma nota para enxergar esse movimento, e é por isso que o pentagrama funciona tão bem. A leitura segue a ordem do texto: da esquerda para a direita.
Duas notas perto do fim caíram abaixo da pauta e ganharam um tracinho só para elas. É disso que trata a próxima seção.
Fora das cinco linhas
Nove lugares não dão conta de todos os sons. Para escrever uma nota mais aguda ou mais grave do que o pentagrama alcança, acrescentam-se linhas suplementares: tracinhos curtos, com o mesmo espaçamento das linhas da pauta, desenhados só onde há nota. Com elas surgem também os espaços suplementares.
Descendo a partir da segunda linha: a nota sai da pauta pelo espaço logo abaixo da primeira linha, depois ocupa a primeira linha suplementar, o espaço abaixo dela, e a segunda linha suplementar. O mesmo vale para cima:
Para fora da pauta, a contagem é outra. As linhas suplementares são numeradas a partir da pauta: acima dela, a primeira é a mais próxima e as outras vão subindo; abaixo dela, a primeira também é a mais próxima, e as outras vão descendo. É assim que Lacerda numera (LACERDA, 1966, cap. II).
Cada nota leva só as linhas suplementares de que precisa. Uma linha a mais, além da nota, não acrescenta nada e só atrapalha a leitura, observação que Blatter faz com um exemplo do jeito certo e do jeito errado (BLATTER, 2007, art. 2).
As partes de uma nota escrita
Uma nota escrita tem até três partes. A cabeça é a parte redonda, e é a posição dela que conta: é a cabeça que fica na linha ou no espaço. A haste é o risco vertical preso à cabeça. A bandeirola, também chamada de colchete, é o gancho na ponta da haste. Nem toda nota tem as três; quais partes aparecem depende de quanto o som dura, assunto do tópico sobre figuras e pausas.
A haste não aponta para cima ou para baixo por acaso. A regra olha para a terceira linha, a do meio:
- abaixo da terceira linha, a haste sobe, pelo lado direito da cabeça;
- acima da terceira linha, a haste desce, pelo lado esquerdo;
- na própria terceira linha, tanto faz, e o costume é para baixo.
A razão é prática: assim a haste fica dentro da pauta, em vez de avançar para fora dela, onde bateria nas notas da pauta de cima ou de baixo. A bandeirola acompanha a haste e fica sempre do lado direito, apontando para a direita.
O que vem depois
O pentagrama diz que uma nota é mais aguda ou mais grave que outra, mas ainda não diz qual nota ela é. Para dar nome a cada linha e a cada espaço falta a clave.
Referências
- BLATTER, Alfred. Revisiting music theory: a guide to the practice. New York: Routledge, 2007.Consultado: art. 2
- LACERDA, Osvaldo. Compêndio de teoria elementar da música. 3. ed. São Paulo: Ricordi Brasileira, 1966.Consultado: cap. II
- MED, Bohumil. Teoria da música. 4. ed. Brasília: Musimed, 1996.Consultado: cap. II