Figuras e pausas

Na pauta, a posição da nota diz a altura, e o desenho dela diz quanto tempo o som dura. Esses desenhos são as figuras, e cada uma tem uma pausa que mede o silêncio do mesmo tamanho. Aqui você conhece as sete figuras, a proporção entre elas e as pausas correspondentes.

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Uma nota escrita na pauta responde a duas perguntas ao mesmo tempo. O lugar onde ela está, numa linha ou num espaço, diz qual é o som. O desenho dela diz quanto tempo ele dura. Ouça estas notas: é sempre o mesmo sol, e só o desenho muda.

A primeira dura bastante; cada uma das seguintes dura a metade da anterior. Esses desenhos se chamam figuras, e são o assunto deste tópico. O silêncio também tem desenhos próprios, as pausas, que vêm logo depois.

As sete figuras

A música de hoje usa sete figuras. Da mais longa para a mais curta:

FiguraCabeçaHasteBandeirolas
semibrevevazadanão0
mínimavazadasim0
semínimacheiasim0
colcheiacheiasim1
semicolcheiacheiasim2
fusacheiasim3
semifusacheiasim4

Repare como o desenho vai ganhando partes. A semibreve é só uma cabeça vazada. A mínima ganha a haste. A semínima pinta a cabeça. Daí em diante, cada figura acrescenta uma bandeirola na ponta da haste. Blatter resume a lógica numa frase: quanto mais partes tem o símbolo, mais curta é a duração (BLATTER, 2007, parte 1, art. 3).

Cada figura vale duas da seguinte

As sete figuras seguem uma única proporção: cada uma vale duas da figura seguinte. Uma semibreve dura o mesmo que duas mínimas, que duram o mesmo que quatro semínimas.

Ouça: os três compassos têm a mesma duração total. A regra continua pelas figuras menores. Uma semínima vale duas colcheias, que valem quatro semicolcheias:

Tomando a semibreve como a unidade, as outras figuras são frações dela:

FiguraParte da semibreveQuantas cabem numa semibreve
semibreve11
mínima1/22
semínima1/44
colcheia1/88
semicolcheia1/1616
fusa1/3232
semifusa1/6464

A duração é relativa

Uma semínima não dura um número fixo de segundos. A figura diz só a proporção: que a mínima dura o dobro da semínima, que a colcheia dura a metade. Quanto tempo cada uma dura de fato depende da velocidade da música, o andamento. Med separa bem as duas coisas: as figuras dão a duração relativa, e o andamento dá a duração absoluta (MED, 1996, cap. IV).

É por isso que a mesma melodia, escrita com as mesmas figuras, pode soar calma ou agitada. O desenho não muda; muda o relógio que se aplica a ele.

A haste pode subir ou descer

A haste da mínima e das figuras menores pode apontar para cima ou para baixo, e isso não muda nada no som. A direção segue o lugar da nota na pauta, como se viu no tópico sobre a pauta: abaixo da terceira linha, a haste sobe; acima, desce.

Mas a bandeirola fica sempre do lado direito da haste, suba ela ou desça. Blatter chama a atenção para esse detalhe: a bandeirola de uma haste para baixo fica "de cabeça para baixo", mas continua à direita (BLATTER, 2007, parte 1, art. 3).

Quando várias colcheias ou figuras menores vêm em sequência, as bandeirolas costumam ser trocadas por uma barra que liga as hastes. O som é o mesmo; a barra só ajuda a ver como as notas se agrupam. As regras desse agrupamento dependem do compasso e têm um tópico próprio.

As pausas

A música não é feita só de som. Os silêncios também têm duração, e ela precisa ser escrita com a mesma precisão. Para isso existem as pausas. Cada figura tem uma pausa correspondente, com a mesma duração, e a pausa leva o nome da figura: pausa de semibreve, pausa de mínima, e assim por diante.

As pausas seguem a mesma proporção das figuras: cada uma vale duas da seguinte. Como o silêncio não tem altura, a pausa não fica numa linha ou num espaço escolhido pela nota; ela ocupa um lugar fixo no meio da pauta.

Lacerda lembra que a palavra "pausa" tem dois sentidos na música: o próprio silêncio e o sinal que o representa (LACERDA, 1966, cap. IV). Neste tópico, quase sempre é o sinal.

Pausa de semibreve e pausa de mínima

As duas primeiras pausas são as mais fáceis de confundir: as duas são um retângulo pequeno. A diferença é a posição. A pausa de semibreve fica pendurada embaixo da quarta linha; a pausa de mínima fica sentada em cima da terceira (MED, 1996, cap. IV).

Um jeito de guardar: a semibreve é a mais longa, a mais "pesada", e por isso fica pendurada; a mínima, mais leve, se apoia na linha.

Som e silêncio juntos

Numa melodia, figuras e pausas se revezam, e as durações das duas se somam do mesmo jeito.

No primeiro compasso, três semínimas e uma pausa de semínima: quatro semínimas de tempo. No segundo, uma mínima e uma pausa de mínima: de novo quatro semínimas. O silêncio conta tanto quanto o som.

Figuras que quase não aparecem

As sete figuras não são as únicas. Acima da semibreve existe a breve, que vale duas semibreves; abaixo da semifusa, a quartifusa, com cinco bandeirolas, que vale metade da semifusa. Lacerda registra as duas e observa que são usadas muito raramente (LACERDA, 1966, cap. IV). Blatter também dá a breve como rara, e a nota de cinco bandeirolas como o limite que quase nunca se ultrapassa na prática.

O que vem depois

As figuras só dobram ou dividem por dois. Para durações que ficam no meio do caminho, como uma vez e meia uma mínima, existem o ponto de aumento e a ligadura, o assunto do prolongamento dos valores. E para organizar as figuras em grupos regulares, com um tempo forte que volta sempre, vem o compasso.

Referências

  1. BLATTER, Alfred. Revisiting music theory: a guide to the practice. New York: Routledge, 2007.Consultado: parte 1, art. 3
  2. LACERDA, Osvaldo. Compêndio de teoria elementar da música. 3. ed. São Paulo: Ricordi Brasileira, 1966.Consultado: cap. IV
  3. MED, Bohumil. Teoria da música. 4. ed. Brasília: Musimed, 1996.Consultado: cap. IV