Tom e semitom

Entre duas notas vizinhas a distância nem sempre é a mesma. A menor delas é o semitom, e dois semitons fazem um tom. Aqui você aprende a medir essas distâncias no teclado, descobre por que entre mi e fá não há tecla preta e ouve a diferença entre um passo e o outro.

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Os sete nomes das notas vêm um depois do outro, como degraus de uma escada. Só que os degraus dessa escada não têm todos a mesma altura. Toque e depois . Agora toque e depois . Nos dois casos você subiu para o nome seguinte, mas o segundo passo é mais curto: as duas notas ficam mais perto uma da outra.

Essas duas medidas têm nome. O passo curto é o semitom, e o passo longo, feito de dois semitons, é o tom.

O semitom

O semitom é a menor distância entre duas notas usada na música ocidental. No piano, ele é a distância entre uma tecla e a tecla imediatamente vizinha, sem nenhuma outra no meio, seja ela branca ou preta.

Entre mi e não há tecla preta. As duas teclas brancas se tocam, e por isso a distância entre elas é um semitom. O mesmo acontece entre si e :

O semitom também é chamado de meio-tom, e o nome já diz o que ele é: metade de um tom. Lacerda o apresenta assim, como a diferença de altura entre duas teclas contíguas do piano (LACERDA, 1966, cap. XVII).

O tom

O tom é a soma de dois semitons. No teclado, é a distância de uma tecla até a segunda tecla depois dela, pulando uma.

Entre e existe uma tecla preta. De até ela é um semitom, e dela até é outro. Dois semitons, um tom.

Os sete nomes, medidos

Agora dá para medir todos os passos entre os nomes das notas. Suba de até o próximo pelas teclas brancas e repare onde há tecla preta no meio:

DeParaDistância
tom
mitom
misemitom
soltom
soltom
sitom
sisemitom

A regra aparece sozinha: onde há uma tecla preta entre duas brancas, a distância é um tom; onde as brancas se tocam, é um semitom. Entre os sete nomes existem só dois semitons, mi e si. Por acontecerem entre notas sem nenhum sinal, eles são chamados de semitons naturais.

Vale guardar esses dois pares. Quase tudo o que vem depois, das escalas aos intervalos, depende de saber onde eles caem.

Por que as teclas pretas estão onde estão

O desenho do teclado não é um capricho, é esse mesmo padrão. Blatter conta a história a partir da escrita: quando a notação tinha só os sete nomes naturais, os passos de um tom deixavam espaço para um som no meio, e ali foram acrescentadas notas, que no teclado viraram as teclas pretas; entre mi e , e entre si e , o passo já era de um semitom e não cabia nada (BLATTER, 2007, art. 2).

É por isso que as teclas pretas vêm em grupos de duas e de três. O grupo de duas fica entre dó, ré e mi; o grupo de três, entre fá, sol, lá e si. A falha entre um grupo e outro é exatamente onde mora um semitom natural.

Ouça os dois passos

No papel, os dois passos parecem iguais: de uma linha para o espaço seguinte. Só o ouvido, ou o teclado, mostra a diferença.

As duas primeiras distâncias são de um tom, e a última é de um semitom. Cante junto e repare como a voz se move menos no último passo.

As teclas pretas também são notas, e de qualquer tecla para a vizinha a distância é sempre um semitom. De para a tecla preta logo acima dele é um semitom; de mi para , também. As teclas pretas não têm nomes próprios: elas usam os mesmos sete nomes com um sinal, e esses sinais são o assunto dos acidentes.

O que vem depois

Os livros não concordam sobre onde encaixar este assunto. Med o coloca cedo, logo depois das figuras de duração, no mesmo capítulo dos sinais que alteram as notas. Lacerda o guarda para a parte do livro sobre altura e o apresenta como o menor dos intervalos. As duas escolhas apontam para os dois caminhos que saem daqui: os acidentes, que dão nome às teclas pretas subindo ou descendo uma nota um semitom, e o intervalo, que mede a distância entre quaisquer duas notas.

Referências

  1. BLATTER, Alfred. Revisiting music theory: a guide to the practice. New York: Routledge, 2007.Consultado: art. 2
  2. LACERDA, Osvaldo. Compêndio de teoria elementar da música. 3. ed. São Paulo: Ricordi Brasileira, 1966.Consultado: cap. XVII
  3. MED, Bohumil. Teoria da música. 4. ed. Brasília: Musimed, 1996.Consultado: cap. V