Dinâmica
Uma melodia pode ser tocada num sussurro ou com toda a força, e mudar de um para o outro no caminho. A dinâmica é a arte de graduar essa intensidade. Aqui você aprende a escala do pianíssimo ao fortíssimo, os sinais de crescendo e diminuendo, e os reforços súbitos como o sforzato.
A intensidade é uma das propriedades do som: o quanto ele é forte ou fraco. Na música, ela não fica parada. Um trecho começa suave, cresce, explode, some. A arte de graduar essa intensidade durante a execução se chama dinâmica (LACERDA, 1966, cap. XVI).
Blatter observa que os sinais de dinâmica são bem menos precisos que os de altura e de duração, e também bem mais novos: só começaram a aparecer nas partituras no século XVII (BLATTER, 2007, parte 1, art. 6).
Piano e forte
Tudo parte de duas palavras italianas. Um trecho tocado com pouca intensidade é piano, suave; com muita, é forte (LACERDA, 1966, cap. XVI). Na partitura elas aparecem abreviadas, p e f, e ficam normalmente abaixo da pauta. Na música vocal, onde embaixo vai a letra, costumam ir acima (BLATTER, 2007, parte 1, art. 6).
Ouça: as mesmas notas, primeiro suaves, depois fortes. O sinal vale a partir da nota em que aparece e continua valendo até surgir outro.
A escala
Entre os dois extremos há degraus. Repetindo a letra, a intensidade vai além; com mezzo, que quer dizer meio, fica no meio do caminho.
| Sinal | Nome | Intensidade |
|---|---|---|
| ppp | pianississimo | o mais suave possível |
| pp | pianíssimo | muito suave |
| p | piano | suave |
| mp | mezzo piano | meio suave |
| mf | mezzo forte | meio forte |
| f | forte | forte |
| ff | fortíssimo | muito forte |
| fff | fortississimo | o mais forte possível |
A escala pode esticar ainda mais. Med registra casos extremos, como um pppppp no compasso 160 da Sexta Sinfonia de Tchaikovsky, e lembra que nem todo instrumento alcança todos os degraus em toda a sua extensão: um ppp na região grave do oboé é quase impossível (MED, 1996, cap. XXXIII).
Forte comparado a quê?
Um f não tem um volume fixo. Blatter é direto: não existe um padrão do que seja um forte ou um piano; é sempre interpretação, e depende do tamanho da sala e do estilo da música (BLATTER, 2007, parte 1, art. 6). Med chega à mesma conclusão: a física mede a intensidade em decibéis, mas na execução ela não se mede, se compara (MED, 1996, cap. XXXIII). O f de um violão solo e o de uma orquestra inteira são forte cada um no seu mundo.
Por isso os sinais aceitam palavras que ajustam o grau: poco f, um pouco forte; più p, mais suave; meno f, menos forte; sempre pp, sempre pianíssimo; p subito, piano de repente, sem preparação.
Crescer e diminuir
A intensidade também muda aos poucos. Para crescer gradualmente escreve-se crescendo (cresc.); para diminuir, decrescendo (decresc.) ou diminuendo (dim.). Em vez das palavras, dois sinais em forma de ângulo, os reguladores: abrindo para crescer, fechando para diminuir.
Lacerda prefere os sinais às palavras, porque mostram com mais clareza o efeito de aumento ou diminuição gradual; e, quando a mudança se estende por vários compassos, recomenda uma linha pontilhada depois da palavra, para deixar claro até onde ela vai (LACERDA, 1966, cap. XVI).
Os reforços súbitos
Às vezes a mudança não é gradual, mas de uma nota só. O sforzato, abreviado sf, pede um acento brusco naquela nota; as seguintes voltam à intensidade do trecho (LACERDA, 1966, cap. XVI).
O forte-piano, fp, parece parecido e não é. Ele ataca a nota forte e pede piano logo em seguida, para ela e para as próximas. Lacerda faz questão da diferença: o sf acentua só a nota; o fp acentua a nota e muda a intensidade do que vem depois.
Assim como os acentos do tópico sobre articulação, o sf é proporcional à intensidade geral: num trecho piano, ele deve ser mais brando do que num trecho forte.
Aqui os livros diferem no detalhe. Lacerda trata só o sf. Blatter lista o sforzando e o forzando como sinais distintos (BLATTER, 2007, parte 1, art. 6). Med vai além e separa sf, fz e sfz, cada um com seu sinal de acento e sua faixa de intensidade (MED, 1996, cap. XXXIII).
O que vem depois
Dinâmica e articulação são as duas camadas de expressão que a partitura escreve por cima das notas. Da intensidade, a escrita passa à outra propriedade do som que ainda falta: o timbre, que a partitura indica pelo nome do instrumento ou da voz.
Referências
- BLATTER, Alfred. Revisiting music theory: a guide to the practice. New York: Routledge, 2007.Consultado: parte 1, art. 6
- LACERDA, Osvaldo. Compêndio de teoria elementar da música. 3. ed. São Paulo: Ricordi Brasileira, 1966.Consultado: cap. XVI
- MED, Bohumil. Teoria da música. 4. ed. Brasília: Musimed, 1996.Consultado: cap. XXXIII