Acordes alterados

Acordes formados elevando ou abaixando uma nota de um acorde diatônico. Aqui você aprende a construí-los, por que Med os reconhece pela terça diminuta, por que essa terça quase sempre aparece invertida, como sexta aumentada, e por que a palavra "alterado" quer dizer coisas diferentes em livros diferentes.

prático · formal · 3 conceitos

Os acordes de uma tonalidade saem das notas da sua escala. Mas os compositores trocam com frequência um acorde esperado por outro, para ter um efeito harmônico novo, e uma das maneiras de fazer isso é mexer numa nota só. Um acorde alterado é um dos acordes funcionais da tonalidade que ganhou outra qualidade porque uma ou mais das suas notas foram modificadas (BLATTER, 2007, parte 3, art. 10).

O exemplo de Blatter é o mais simples possível: a tríade da dominante transformada em acorde menor, abaixando a terça (BLATTER, 2007, parte 3, art. 10). Em dó maior, sol, si, ré vira sol, si bemol, ré.

A definição mais estreita de Med

Med usa a palavra num sentido mais preciso. Para ele, um acorde alterado é formado por notas da escala alterada, elevando ou abaixando notas diatônicas, e a sua marca é uma terça diminuta entre duas notas do acorde; a outra terça é maior ou menor (MED, 1996, cap. XLI). Na escala alterada, os graus I, III e V nunca são alterados, porque são eles que definem a tonalidade.

Pelo critério de Med, o sol menor de Blatter não é um acorde alterado: sol, si bemol, ré é uma tríade menor comum, terça menor e terça maior, sem terça diminuta nenhuma. O que faz um acorde alterado, para Med, não é ter uma nota de fora; é ter um intervalo que nenhum acorde diatônico tem.

Uma terça diminuta tem o tamanho de um tom, mas é escrita como terça. Veja a tríade da dominante de dó maior e, ao lado, a mesma tríade com a quinta abaixada:

De si para ré há uma terça menor. De si para ré bemol, as mesmas duas letras, mas um semitom a menos: uma terça diminuta. O acorde sol, si, ré bemol tem uma terça maior embaixo e uma terça diminuta em cima, e é um acorde de quinta alterado no sentido de Med.

Os quatro tipos

Como a terça diminuta pode ficar embaixo ou em cima, e a outra terça pode ser maior ou menor, existem em teoria quatro acordes de quinta alterados (MED, 1996, cap. XLI):

Terça de baixoTerça de cima
maiordiminuta
menordiminuta
diminutamaior
diminutamenor

Na prática, nem todos cabem em todos os graus, porque as notas têm de sair da escala alterada. Em dó maior, Med mostra que não é possível formar acordes alterados nos graus I e III. E um acorde no quarto grau com uma terça aumentada, em vez de diminuta, não entra na classificação (MED, 1996, cap. XLI).

A terça diminuta invertida

Uma terça diminuta escrita em posição fechada soa estranha, apertada, e quase nunca aparece assim na música. O que aparece é a sua inversão. Invertida, uma terça diminuta vira sexta aumentada.

Pegue o acorde ré, fá sustenido, lá bemol, construído no segundo grau de dó maior: terça maior de ré para fá sustenido, terça diminuta de fá sustenido para lá bemol. Com o lá bemol no baixo, as duas notas da terça diminuta se afastam e formam uma sexta aumentada, lá bemol embaixo, fá sustenido em cima. E cada uma delas está a um semitom do sol, uma abaixo e outra acima:

As duas notas se abrem para fora, em direção à mesma nota, uma oitava de distância. É por isso que esses acordes existem: a terça diminuta, ou a sexta aumentada que ela vira, é um intervalo feito para resolver, com as duas notas sendo atraídas por semitom. Esse movimento é a base de alguns dos acordes cromáticos mais conhecidos da música clássica, e eles têm assunto próprio.

Acordes de sétima alterados

O mesmo raciocínio vale para as tétrades. Os acordes de sétima alterados se formam alterando uma ou mais notas de um acorde de sétima diatônico, e a sua marca continua sendo a terça diminuta: duas terças diatônicas, maiores ou menores, e uma terça diminuta. Em teoria existem doze combinações, mas com as notas da escala alterada o número disponível é menor e muda de grau para grau (MED, 1996, cap. LII).

Juntando uma sétima ao acorde de ré alterado, o resultado é ré, fá sustenido, lá bemol, dó:

Terça maior, terça diminuta, terça maior. Como algumas línguas dão nomes próprios a cada acorde de sétima alterado, e os nomes não coincidem, Med sugere identificá-los pela sobreposição das terças: este é um acorde de sétima alterado "3ªM – 3ªD – 3ªM" (MED, 1996, cap. LII). É o jeito mais seguro de falar deles, porque não depende de nenhuma tradição de nomes.

Três sentidos de "alterado"

A palavra aparece em pelo menos três sentidos, e vale saber em qual um texto está.

  1. Alterado como modificado. Qualquer acorde funcional com uma nota mudada, que ganha outra qualidade: o sentido amplo de Blatter (BLATTER, 2007, parte 3, art. 10).
  2. Alterado como portador de terça diminuta. O sentido estreito de Med, em que o sinal do acorde alterado é o intervalo, não a nota (MED, 1996, cap. XLI).
  3. Dominante alterada. Na música popular e no jazz, um acorde de dominante com as extensões alteradas, nona bemol, nona sustenida, quinta aumentada ou diminuta. É o sentido das cifras como G7(b9), e tem tópico próprio.

Os três se cruzam. O acorde ré, fá sustenido, lá bemol, dó é alterado nos três sentidos: é a dominante da dominante com a quinta modificada, tem uma terça diminuta, e na cifra popular se escreve D7(b5).

O que vem depois

A terça diminuta que vira sexta aumentada leva direto aos acordes cromáticos da harmonia clássica, que usam exatamente esse intervalo para puxar a música para a dominante. E, dentro de uma escala, a pergunta sobre quais notas podem ser alteradas leva à escala cromática.

Referências

  1. BLATTER, Alfred. Revisiting music theory: a guide to the practice. New York: Routledge, 2007.Consultado: parte 3, art. 10
  2. MED, Bohumil. Teoria da música. 4. ed. Brasília: Musimed, 1996.Consultado: cap. XLI, LII