Acorde

Três ou mais sons diferentes soando ao mesmo tempo. Aqui você aprende o que conta como acorde e o que é só intervalo, a diferença entre o acorde modelo e as muitas formas que ele assume na música, por que as notas dobradas não mudam o acorde, e como os acordes se constroem em terças, e às vezes em outros intervalos.

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Uma melodia raramente aparece sozinha. Quase sempre ela vem acompanhada de grupos de notas que soam juntas e a vestem, como uma roupa. Esses grupos de notas são os acordes (LACERDA, 1966, cap. XXV).

Um acorde é a combinação simultânea de três ou mais sons diferentes (LACERDA, 1966, cap. XXV). Com dois sons o que se tem é um intervalo; o acorde começa no terceiro (MED, 1996, cap. XL).

Dó e mi juntos são um intervalo harmônico, uma terça. Acrescentando o sol, passam a ser um acorde.

Melodia e harmonia

A diferença entre melodia e acorde é uma questão de direção. A melodia se desenvolve na horizontal, uma nota depois da outra; a harmonia se sucede na vertical, um acorde depois do outro, cada um com as suas notas soando juntas (LACERDA, 1966, cap. XXV). Juntas, as duas formam uma espécie de tecido, com a melodia correndo e os acordes marcando o chão por onde ela passa.

A melodia não precisa estar em cima. Ela pode aparecer no meio dos acordes ou embaixo deles, no baixo (LACERDA, 1966, cap. XXV). E, quando duas ou mais melodias independentes soam ao mesmo tempo, já não se fala em melodia com acordes, e sim em contraponto (MED, 1996, cap. XL).

A harmonia, como disciplina, é o estudo dos acordes e da maneira de encadear um no outro (LACERDA, 1966, cap. XXV).

Sons diferentes: as dobras não contam

A definição diz sons diferentes. Um acorde de dó maior tocado com dois dós, um grave e um agudo, continua sendo um acorde de três sons: dó, mi e sol. Dobrar uma nota, na mesma altura ou em outra oitava, não muda a classificação do acorde (MED, 1996, cap. XL).

É por isso que um violonista tocando seis cordas pode estar fazendo exatamente o mesmo acorde que um pianista com três dedos. As notas repetidas dão corpo e cor, mas o acorde é definido pelas notas diferentes.

O acorde modelo e as suas formas

Os livros apresentam os acordes numa forma padrão: as notas empilhadas o mais perto possível, a partir da mais grave. Lacerda chama essa forma de acorde modelo. Na prática, porém, os acordes são usados nas mais diversas posições, com uma ou mais notas dobradas, triplicadas (LACERDA, 1966, cap. XXV).

Aqui está o acorde modelo de dó maior e três das muitas formas que ele pode tomar na música:

  1. o acorde modelo, dó, mi, sol, bem juntos;
  2. as notas espalhadas por duas oitavas, com o dó dobrado;
  3. o mi no baixo, que é uma inversão;
  4. cinco notas, com o sol e o dó dobrados.

Os quatro são o mesmo acorde. O ouvido reconhece o dó maior em todos, mesmo que cada um soe diferente. Os acordes modelo existem em número limitado e se formam segundo regras; as formas que eles assumem são praticamente infinitas (LACERDA, 1966, cap. XXV).

Um acorde também pode ser tocado nota a nota, como arpejo, e continua sendo o mesmo acorde (MED, 1996, cap. XL).

Construído em terças

Na concepção clássica, os acordes se formam empilhando terças. Nessa forma original, a nota mais grave é a fundamental, a que gera o acorde e dá nome a ele, e as outras se chamam pelo intervalo que formam com ela, terça e quinta. Por isso um acorde se constrói e se lê de baixo para cima (MED, 1996, cap. XL).

Essa maneira de pensar tem autor. No século XVIII, o compositor e teórico francês Jean-Philippe Rameau propôs a tríade em terças como a base da harmonia, e muito do vocabulário da análise harmônica ainda vem dele (BLATTER, 2007, parte 3, art. 2).

Med dá aos acordes em terças nomes tirados do intervalo entre a nota mais grave e a mais aguda da forma original (MED, 1996, cap. XL):

NotasNome em MedIntervalo entre as pontas
3acorde de quintaquinta
4acorde de sétimasétima
5acorde de nonanona
6acorde de décima primeiradécima primeira

O acorde de quinta, o de três notas, é o que se chama também de tríade, e as suas quatro qualidades têm um tópico próprio.

E fora das terças

A terça não é a única possibilidade. Acordes podem ser construídos também com segundas ou com quartas (MED, 1996, cap. XL), e compositores, sobretudo no século XX, usaram tríades de quartas, de quintas, de segundas e de sétimas (BLATTER, 2007, parte 3, art. 2). Um acorde de quartas e um de segundas:

Mesmo assim, o acorde em terças foi tão dominante na música ocidental desde antes do século XVIII que, quando um músico diz "tríade" sem mais nada, está sempre falando de uma tríade em terças (BLATTER, 2007, parte 3, art. 2).

O que vem depois

O acorde em terças de três notas, a tríade, é o ponto de partida: quatro qualidades, maior, menor, aumentada e diminuta, cada uma com o seu som. Com uma terça a mais vêm as tétrades, e com o jeito de encadear um acorde no outro começa a harmonia.

Referências

  1. BLATTER, Alfred. Revisiting music theory: a guide to the practice. New York: Routledge, 2007.Consultado: parte 3, art. 2
  2. LACERDA, Osvaldo. Compêndio de teoria elementar da música. 3. ed. São Paulo: Ricordi Brasileira, 1966.Consultado: cap. XXV
  3. MED, Bohumil. Teoria da música. 4. ed. Brasília: Musimed, 1996.Consultado: cap. XL