Escala

Uma série de notas sucessivas, separadas por tons e semitons. Aqui você aprende o que uma escala é, e o que ela não é, a diferença entre escala diatônica e cromática, por que as sete escalas das teclas brancas não são a mesma escala, como as escalas se classificam pelo número de notas, e por que a de sete notas é só uma entre muitas.

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Cante o começo da "Ode à alegria", de Beethoven, e preste atenção nas notas que aparecem:

São quinze notas, mas só cinco sons diferentes: dó, ré, mi, fá e sol. A melodia vai e volta entre eles, repete, salta. Agora tire as repetições e ponha os cinco em ordem, do grave para o agudo:

Isso já não é uma melodia. É o material de que a melodia foi feita, arrumado em fila. Uma escala é exatamente isso, levado até a oitava.

O que é uma escala

A palavra vem do latim scala, que quer dizer escada (MED, 1996, cap. XV), e a imagem é boa: as notas são degraus, e o que importa é a altura de cada degrau em relação ao anterior.

Uma escala é uma série de notas sucessivas, separadas por tons ou semitons (LACERDA, 1966, cap. XX). Med junta a essa ideia duas outras. Uma escala é também o conjunto de notas disponíveis num determinado sistema musical, e uma sucessão ordenada de sons dentro do limite de uma oitava (MED, 1996, cap. XV).

As três definições descrevem a mesma coisa de três ângulos. A primeira fala da forma, degrau depois de degrau. A segunda fala da função: a escala é o estoque de notas que uma música tem à mão. A terceira diz onde a escala para: na oitava, porque dali para cima as notas se repetem com o mesmo nome.

A escala não é a música

Blatter faz uma observação que ajuda a não confundir as coisas. O que caracteriza a música maior e a menor é um conjunto de notas, cada uma com a sua função. Como esse conjunto costuma ser apresentado em ordem, subindo ou descendo, é que se fala em escala maior e escala menor (BLATTER, 2007, parte 2, art. 2).

A ordem, portanto, é um jeito de mostrar o material, não uma descrição de como a música anda. A "Ode à alegria" nunca toca a sua escala de ponta a ponta, e quase nenhuma melodia toca. Estudar a escala é estudar o estoque; ouvir a música é ouvir o que se faz com ele.

Ascendente e descendente

Uma escala pode ser ascendente, do grave para o agudo, ou descendente, do agudo para o grave (LACERDA, 1966, cap. XX). Quando se estuda uma escala na teoria, o costume é tomá-la subindo, e é pela forma ascendente que se numeram as notas.

A nota em que a escala começa é o primeiro grau, a seguinte o segundo, e assim por diante, sempre em algarismos romanos. Na escala descendente, os graus conservam os números da ascendente: o sétimo grau continua sendo o sétimo, esteja a escala subindo ou descendo (LACERDA, 1966, cap. XX).

Diatônica e cromática

Lacerda divide as escalas em dois tipos, pelo tamanho dos degraus (LACERDA, 1966, cap. XX).

A escala diatônica anda por tons e semitons. Nela, as sete letras aparecem todas em seguida, cada uma uma vez, com ou sem acidente:

A escala cromática anda só por semitons. Como a oitava tem doze semitons e só há sete letras, algumas letras precisam se repetir, com acidentes:

No piano, a cromática é o que se ouve tocando todas as teclas em seguida, brancas e pretas. A maneira certa de escrever as suas notas, com sustenidos ou bemóis, subindo ou descendo, é assunto da escala cromática.

Sete escalas nas teclas brancas

A escala mais usada na música ocidental é a de sete notas, e ela se repete de sete em sete notas (LACERDA, 1966, cap. XX). Mas sete notas não fazem uma escala só.

Pegue as teclas brancas do piano e comece por cada uma delas: de dó a dó, de ré a ré, de mi a mi, até de si a si. As notas são as mesmas nas sete escalas. O que muda é o lugar dos dois semitons. De dó a dó, eles caem entre o terceiro e o quarto grau e entre o sétimo e o oitavo. De ré a ré, caem entre o segundo e o terceiro e entre o sexto e o sétimo:

Soa diferente, e é diferente. Cada uma dessas sete maneiras de distribuir os tons e os semitons é um modo, e hoje dois deles predominam, o maior e o menor (LACERDA, 1966, cap. XX).

Por isso uma escala tem dois nomes: o da nota em que começa, a tônica, e o do modo. Uma escala que começa no dó e está no modo maior é a escala de dó maior; uma que começa no lá e está no modo menor é a escala de lá menor (LACERDA, 1966, cap. XX).

Quantas notas tem uma escala

Sete é o número mais familiar, mas não o único. Med classifica as escalas pelo número de notas (MED, 1996, cap. XV):

NotasNome
5pentatônica
6hexacordal
7heptatônica
12cromática

A escala de cinco notas é a pentatônica. Sem os semitons, ela soa aberta e é uma das escalas mais espalhadas pelo mundo:

Med classifica as escalas também pelo uso, em três grupos: as naturais ou diatônicas, as artificiais ou cromáticas, e as exóticas, que têm formação singular, como as ciganas, as pentatônicas e a de tons inteiros (MED, 1996, cap. XV).

Muito além das sete

Blatter lembra que a música ocidental se apoiou por cerca de mil anos nos modos e no sistema maior-menor, e que só no século XIX os compositores começaram a procurar outros sistemas, na música tradicional de outros povos e em escalas inventadas (BLATTER, 2007, parte 2, art. 10).

Mesmo sem sair de tons e semitons há muito espaço. Com exatamente cinco tons e dois semitons dentro da oitava, dá para montar uma família inteira de escalas de sete notas, e só algumas delas pertencem aos modos e ao sistema maior-menor (BLATTER, 2007, parte 2, art. 10). E, fora dela, há escalas de oito notas, escalas de nove ou mais, e escalas que passam da oitava, usadas em outras culturas, no jazz e no blues (BLATTER, 2007, parte 2, art. 10).

A escala de sete notas é a porta de entrada, não a casa inteira.

O que vem depois

Com a ideia de escala na mão, cada escala particular é uma receita de degraus: a maior, as menores, a pentatônica, a cromática, as simétricas, que repetem o mesmo desenho dentro da oitava. E cada nota de uma escala tem um papel, o que leva aos graus e à tonalidade.

Referências

  1. BLATTER, Alfred. Revisiting music theory: a guide to the practice. New York: Routledge, 2007.Consultado: parte 2, art. 2, 10
  2. LACERDA, Osvaldo. Compêndio de teoria elementar da música. 3. ed. São Paulo: Ricordi Brasileira, 1966.Consultado: cap. XX
  3. MED, Bohumil. Teoria da música. 4. ed. Brasília: Musimed, 1996.Consultado: cap. XV