Marcação de compasso
Indicar os tempos do compasso com a mão. Aqui você aprende os gestos para dois, três e quatro tempos, onde caem o tempo de baixo e o de cima, o gesto em seis, como o andamento lento subdivide os tempos e o rápido os junta, e as duas maneiras como os livros marcam o cinco e o sete.
A fórmula de compasso diz quantos tempos um compasso tem. Para senti-los, e para mostrá-los aos outros, os músicos usam a mão: cada tempo é um gesto, e os gestos de um compasso formam um desenho que se repete. Isso é marcar o compasso, o que se faz no estudo do solfejo e na regência de coros, orquestras e bandas (LACERDA, 1966, cap. XI).
O primeiro e o último tempo
Dois gestos seguram todos os desenhos. O primeiro tempo de cada compasso é um gesto para baixo, o tempo de baixo, que chega mais ou menos na altura da cintura do regente. O último tempo é um gesto para cima, o tempo de cima, que chega mais ou menos na altura dos olhos (BLATTER, 2007, parte 1, art. 8). Aconteça o que acontecer entre eles, a mão sempre cai no um e sobe no último.
Em cada tempo a mão dá um pequeno rebote. É esse quique que deixa os músicos verem exatamente onde o tempo está (BLATTER, 2007, parte 1, art. 8).
Dois, três e quatro
Com dois tempos, o de baixo e o de cima são o desenho inteiro. Com três e quatro, os tempos do meio vão para os lados. O penúltimo tempo vai sempre para a direita do regente; no quatro, o segundo tempo vai antes para a esquerda. Os tempos do meio chegam mais ou menos na altura do peito (BLATTER, 2007, parte 1, art. 8).
Visto do lado do regente; quem assiste vê o desenho espelhado.
Os compassos simples e os compostos se marcam com os mesmos desenhos: o dois por quatro e o seis por oito, ambos em dois; o três por quatro e o nove por oito, ambos em três (LACERDA, 1966, cap. XI). O que muda é a subdivisão dentro de cada tempo, em dois ou em três.
Um compasso de quatro por quatro, com o tempo forte acentuado, é o que o desenho em quatro marca: um gesto por semínima, o acentuado para baixo.
Seis
Um compasso binário de subdivisão ternária, como o seis por oito, pode ser marcado com as seis pulsações: dois tempos principais, cada um dividido em três. O dois e o três vão para a esquerda, o quatro e o cinco para a direita, e a mão sobe no seis (BLATTER, 2007, parte 1, art. 8).
Visto do lado do regente; quem assiste vê o desenho espelhado.
Mais depressa, mais devagar
Nos andamentos lentos, qualquer desenho pode ser subdividido para ficar claro: o regente acrescenta um segundo gesto em cada ponto de tempo, e quatro tempos aparecem como oito (BLATTER, 2007, parte 1, art. 8). Nos andamentos muito rápidos é preciso o contrário, e os tempos se juntam na marcação (LACERDA, 1966, cap. XI). A música com um tempo só por compasso se rege com um tempo de baixo claro e uma subida suave, sem tempo de cima rítmico (BLATTER, 2007, parte 1, art. 8).
Cinco e sete
Aqui os dois livros divergem. Lacerda marca o cinco como três mais dois ou dois mais três, e o sete como quatro mais três ou três mais quatro, conforme o caso (LACERDA, 1966, cap. XI). Blatter rege o cinco num desenho de dois tempos e o sete num desenho de três, com um tempo mais longo que os outros (BLATTER, 2007, parte 1, art. 8). Os dois descrevem a mesma coisa, um compasso feito de grupos desiguais; diferem em a mão mostrar cada tempo ou só os grupos.
Experimente
Escolha um desenho e aperte o play: um ponto percorre o gesto no andamento da página, mais rápido chegando a cada tempo e mais lento saindo do rebote, com um clique em cada tempo e um mais agudo no tempo de baixo. Acompanhe com a mão.
Visto do lado do regente; quem assiste vê o desenho espelhado.
O que vem depois
Marcar o compasso é o primeiro passo da regência. O resto, mostrar a dinâmica pelo tamanho do gesto, o caráter pela sua forma, o andamento pela sua velocidade, se constrói sobre o desenho que já virou automático (BLATTER, 2007, parte 1, art. 8).
Referências
- BLATTER, Alfred. Revisiting music theory: a guide to the practice. New York: Routledge, 2007.Consultado: parte 1, art. 8
- LACERDA, Osvaldo. Compêndio de teoria elementar da música. 3. ed. São Paulo: Ricordi Brasileira, 1966.Consultado: cap. XI