Reconhecer a qualidade de um acorde, e a nota que decide
Ouvir se um acorde é maior, menor, diminuto ou aumentado sem contar as notas; a terça é a única nota que muda entre maior e menor, e a diferença é enorme.
Um acorde soa, e antes de qualquer conta o ouvido já sabe se ele é aberto ou fechado, firme ou instável. Isso é reconhecer a qualidade: maior, menor, diminuto, aumentado, e nas tétrades as cinco combinações com a sétima. Não se conta nota por nota; aprende-se a cor de cada um, do mesmo modo que se aprende a cor de um intervalo.
Comece por maior e menor
Entre a tríade maior e a menor, uma nota só muda: a terça, um semitom para baixo. A diferença de som, em compensação, é a maior que a harmonia tem.
Toque os dois em sequência, muitas vezes, até a diferença ficar óbvia. Depois troque a fundamental e faça de novo: a cor de "maior" e a de "menor" não dependem da nota, e é a cor que se aprende. Quem separa os dois com segurança já tem o mais importante.
Depois, os dois estranhos
A tríade diminuta encolhe a quinta e fica sem chão; a aumentada estica a quinta e fica no ar. Os dois soam "errados" de maneiras opostas, e por isso são fáceis de separar de maior e menor, e fáceis de separar entre si.
A diminuta pede resolução para baixo e para dentro; a aumentada não pede nada e fica suspensa. Toque cada uma seguida de um acorde maior e ouça a diferença de direção.
As tétrades
Com a sétima, a qualidade passa a ter cinco cores comuns, e o que se ouve primeiro é o par terça e sétima:
- Maior com sétima maior — : parado, luminoso.
- Dominante — : a terça maior com a sétima menor, o acorde que puxa.
- Menor com sétima — : fechado e estável.
- Meio-diminuto — : menor com a quinta encolhida, o acorde de preparação.
- Diminuto com sétima — : tudo encolhido, tudo pedindo movimento.
A ordem para aprender é a mesma das tríades: primeiro separar o dominante do maior com sétima maior, que diferem só na sétima e soam completamente diferentes; depois o menor com sétima; depois os dois diminutos.
O que se reconhece primeiro na prática
Ouvindo uma música, o ouvido treinado reconhece a qualidade e o baixo antes de qualquer outra coisa, e as extensões depois, se é que as reconhece. Um acorde de nona e um de sétima têm a mesma qualidade e a mesma função; saber que é "menor com sétima" já basta para acompanhar, e a nona é um detalhe que se confirma no instrumento.
Como treinar
A prática deste site toca uma tríade, ou uma tétrade, e pergunta a qualidade, com as opções que se confundem entre si. Comece pela prática de tríades e só passe às tétrades quando maior e menor não errarem mais. Como nos intervalos, um pouco por dia e a repetição espaçada fazem o trabalho; a memória de uma cor é lenta para se formar e, formada, não some.
O que levar daqui
A qualidade de um acorde é uma cor que se aprende, não uma conta que se faz. Maior e menor diferem na terça e soam opostos; diminuto e aumentado erram em direções contrárias; nas tétrades, o par terça e sétima é o que se ouve primeiro. Na prática, qualidade e baixo vêm antes de tudo, e a função, que é outra habilidade, vem depois.