Reconhecer intervalos, e a habilidade em que todo o ouvido se apoia
Identificar de ouvido a distância entre duas notas, o método que funciona para aprender, e a razão de treinar também descendente e harmônico.
Saber que uma terça maior tem quatro semitons é conhecimento. Ouvir duas notas e saber que são uma terça maior é habilidade, e é a habilidade de base de toda percepção musical: tirar uma melodia de ouvido, cantar uma nota que se lê, reconhecer um acorde, tudo passa por reconhecer intervalos. Esta página é sobre como se aprende isso.
O que se ouve
Um intervalo tem uma cor, e a cor não depende das notas: uma quinta justa a partir de dó e uma a partir de fá sustenido soam "a mesma coisa" de um jeito que o ouvido reconhece antes de o nome existir. É essa cor que se aprende a nomear.
Duas notas diferentes, a mesma quinta. Toque as duas várias vezes; a identidade que fica é o intervalo.
O método que funciona
Associe cada intervalo ao começo de uma música que você já conhece de cor. As duas primeiras notas de uma melodia familiar são um intervalo, e a melodia é um lembrete que o ouvido não esquece. A lista é pessoal, e as melodias que servem são as que você canta sem pensar: uma canção de ninar, um hino, um tema de filme.
O par que mais engana, e que mais compensa fixar primeiro:
Terça maior e terça menor, quatro e três semitons. A diferença é um semitom e é, ao mesmo tempo, a diferença entre um acorde maior e um menor: quem distingue as duas terças já distingue os dois acordes.
Ascendente, descendente, harmônico
Reconhecer só o intervalo ascendente e melódico, a nota de baixo depois a de cima, é metade da habilidade. O mesmo intervalo tem três apresentações, e as três precisam de treino:
- Ascendente: a nota grave, depois a aguda.
- Descendente: a aguda, depois a grave. Soa diferente, e as músicas de referência para descer são outras.
- Harmônico: as duas juntas. É como o intervalo aparece dentro de um acorde, e é a apresentação que a harmonia usa.
A prática deste site toca as três em sequência, a subida, a descida e as duas juntas, para que a cor fique presa às três.
Do fácil ao difícil
A ordem que a maioria segue, e que funciona: oitava e quinta primeiro, porque soam "vazias" e não se confundem com nada; depois a quarta, que é a quinta invertida; depois as terças, maior e menor; depois as sextas, que são as terças invertidas; por fim as segundas e as sétimas, e o trítono, que é o que sobra. Cada par de inversões se aprende junto, porque um se deduz do outro.
Um pouco por dia
Reconhecimento de intervalos é memória de longo prazo, e memória de longo prazo se constrói com repetição espaçada: dez minutos por dia valem mais que duas horas no domingo. A prática do site marca cada intervalo para voltar no momento em que você está prestes a esquecê-lo, que é quando a repetição rende mais.
O que levar daqui
Reconhecer intervalos é nomear a cor de uma distância, e a cor não depende das notas. Aprende-se associando cada intervalo a uma melodia conhecida, treinando as três apresentações, subida, descida e juntas, do fácil ao difícil, um pouco por dia. Tudo o que se chama "ter ouvido" começa aqui.