Teoria Musical

Modulação por acorde pivô, e o acorde que é dois ao mesmo tempo

Um acorde lido em duas tonalidades ao mesmo tempo, que serve de dobradiça entre elas; como encontrá-lo, como escrevê-lo com duas cifras romanas, e por que é a porta de entrada mais suave para um tom novo.

prático · formal · 4 conceitos

A maneira mais suave de mudar de tonalidade é passar por um acorde que pertence às duas. O ouvido o escuta como um grau do tom velho; o que vem depois o reinterpreta como um grau do tom novo; e quando a cadência confirma o novo centro, a fronteira já ficou para trás sem ninguém notar. Esse acorde é o pivô, e encontrá-lo é a habilidade central de modular com naturalidade.

Onde os campos se cruzam

Dois tons vizinhos compartilham acordes. Dó maior e sol maior têm em comum dó maior, mi menor, sol maior e lá menor: qualquer um serve de pivô. Dó maior e lá menor, a relativa, compartilham o campo inteiro, e por isso a passagem entre eles é a mais suave de todas.

Lá menor é o vi de dó e o ii de sol. Numa frase em dó, chegue ao lá menor; siga com ré com sétima, a dominante de sol; resolva em sol e fique: modulou. O lá menor foi ouvido primeiro como vi e depois, retrospectivamente, como ii.

O procedimento

Para modular de um tom a outro por pivô:

  1. Escreva o campo harmônico dos dois tons.
  2. Encontre os acordes comuns. Prefira os que, no tom novo, sejam subdominante ou o segundo grau, porque preparam a dominante.
  3. Chegue ao pivô pelo caminho normal do tom velho.
  4. Do pivô, vá à dominante do tom novo e resolva.
  5. Confirme com uma cadência no tom novo; sem ela, foi uma dominante secundária, não uma modulação.

De dó a sol, com lá menor de pivô, ré com sétima, sol, e uma cadência em sol para confirmar.

Duas cifras para um acorde

A análise escreve o pivô com duas leituras, uma embaixo da outra: a do tom velho e a do tom novo. A partir dele, a segunda linha passa a valer. Em dó maior modulando para sol: I, IV, vi na linha de dó; e, sob o mesmo lá menor, ii na linha de sol, seguido de V7, I. A notação diz exatamente onde a dobradiça está, e que o acorde foi ouvido de dois jeitos.

Pivôs que não são diatônicos

O acorde comum pode vir de fora dos dois campos. Um empréstimo modal no tom velho que é diatônico no tom novo é um pivô: em dó maior, o lá bemol maior emprestado é o IV de mi bemol maior, e serve de porta para um tom distante. E o acorde diminuto, com as suas quatro leituras, é o pivô universal: o mesmo som resolve em quatro tônicas, conforme o nome que se lhe dá.

No primeiro caso, lá bemol é o bVI de dó e o IV de mi bemol, e a música foi de dó a mi bemol em três acordes. No segundo, o diminuto sobre si reaparece grafado sobre ré bemol e resolve em ré maior, um tom acima, sem que nenhum acorde comum diatônico existisse entre os dois tons.

O que levar daqui

O acorde pivô pertence ao tom velho e ao tom novo, é ouvido como um grau de cada, e é a dobradiça entre eles; os campos vizinhos compartilham vários, a relativa compartilha todos, e empréstimos e diminutos servem de pivô para tons distantes. Escreve-se com duas cifras romanas, uma por tom, e a modulação só está feita quando uma cadência confirma o centro novo.